ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 26/04/2019

No Brasil, foi durante o período do Império que a primeira escola de surdos estabeleceu-se no país. Porém, a educação dos deficientes auditivos teve o aporte de uma lei específica a partir de 2002 e, desde então, a educação inclusiva, mesmo após a sanção da lei, enfrenta obstáculos como os índices crescentes de evasão escolar e a inserção dos estudantes já formados no mercado de trabalho.

Primeiramente, deve-se destacar que a redução do número de estudantes surdos que abandonam a escola é um dos desafios para o setor educacional de deficientes no país. Segundo os dados do Inep, o total de matrículas de alunos surdos, na educação básica das classes comuns, diminuiu em torno de 5 mil entre 2011 e 2016 e, ao mesmo tempo, é possível constatar um decréscimo proporcional nas matrículas em escolas exclusivas. Isto é, tanto as escolas especiais quanto as comuns não estão conseguindo acolher de maneira efetiva os deficientes auditivos e, como consequência, pais ou responsáveis optam pela educação domiciliar, privando e excluindo o deficiente do ambiente escolar. Sendo assim, é necessário que o poder público garanta o acolhimento integral e efetivo dos surdos, tanto em escolas especiais quanto em escolas comuns.

Vale evidenciar também que as políticas inclusivas para surdos devem extrapolar as fronteiras das instituições de ensino. De acordo com o artigo 27 da Lei 13.146/15, que trata dos direitos das pessoas com deficiência, o sistema educacional deve ser inclusivo em todos os níveis de formação, promovendo o desenvolvimento máximo do indivíduo, independentemente da condição. No entanto, não basta assegurar um ambiente escolar ou acadêmico inclusivo, se o mercado de trabalho não estiver preparado para absorver os talentos, sem oferecer condições para que essas pessoas com necessidades especiais consigam interagir e desempenhar as tarefas diárias. Dessa forma, é necessário que o uso do Sistema Braille e das tecnologias assistivas façam parte do dia a dia  das empresas para aumentar a inclusão dos surdos nas empresas.

Destarte, a fim de superar os desafios para a formação de surdos no Brasil, os Municípios, responsáveis pela educação básica, devem realizar o estudo dos fatores preponderantes causadores da evasão escolar, por meio da parceria com as Secretarias de Educação, visando a melhora do trabalho de acolhimento dos alunos deficientes. Ademais, o Governo Federal e o Ministério do Trabalho devem ampliar a política de inclusão, por intermédio de uma norma que obrigue o ensino e uso de Braille nas empresas públicas e privadas, objetivando absorver os profissionais com deficiência auditiva. Assim, será possível atenuar os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil.