ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 26/04/2019
Promulgada em 1988, a Constituição Cidadã universalizou o acesso à educação a qualquer indivíduo integrante da sociedade brasileira. Hodiernamente, contudo, esse direito não é garantido em sua totalidade, o que resulta em diversos impasses no que tange à plena formação acadêmica da classe surda no Brasil. Visto isso, esses entraves caracterizam a negligência do aparato governamental e o segregacionismo social como as principais mazelas acerca dessa problemática.
De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, todo e qualquer desrespeito a honra, mesmo que não seja efetuado por meios físicos, configura-se como uma violência simbólica. Presentemente, a máxima do pensador é evidenciada pelo descaso público do Poder Público para com os surdos. Isso se evidencia por meio da lamentável condição a qual são deixados: déficits estruturais em instituições de ensino públicas, juntamente com a falta de preparo do corpo docente, que, em sua maioria, não têm sequer conhecimento de LIBRAS, segunda língua oficial do Brasil. Nesse contexto, esse público se encontra sobre um alicerce frágil acerca de seu pleno desenvolvimento socioeducacional.
Ademais, cabe mencionar o papel obstrutivo da sociedade, em decorrência de seu preconceito estruturado em ideais errôneas. Sob esse viés, em consonância a teoria marxista de que “só se transmite o que a classe dominante deseja” é possível estabelecer relações contemporâneas entre o papel da sociedade e a função desigual designada ao deficiente auditivo. Prova disso é a “estereotipização” do surdo como incapaz, ineficiente e até mesmo inócuo em meio a sociedade brasileira, o que evidencia o individualismo exacerbado em todo e qualquer meio cercado por essa suposta classe dominante citada pelo filósofo comunista. Dessa forma, o aluno deficiente auditivo se sente cada vez mais presente em um ambiente intolerante e segregacionista, o que gera, cada vez mais, um espectro ofensivo a ele.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de solucionar os impasses ligados à essa problemática. Destarte, o Governo Federal deve, por meio do Ministério da Educação (MEC), realizar investimentos maciços, a curto prazo, em infraestrutura modelada e destinada exclusivamente ao público surdo, além de cursos destinados ao ensino da Linguagem Brasileira de Sinais para integrantes do corpo docente de escolas públicas e privadas, com o fito de diminuir as falhas estruturais nas instituições públicas de ensino. Outrossim, por meio da mídia, o Estado deve realizar campanhas acerca do real papel biológico do surdo como indivíduo, de modo que sejam destinados a alunos do Ensino Fundamental, a fim de mitigar, desde cedo, preconceitos intrínsecos. Dessa forma, será possível cumprir, de maneira político-social, com o que é denotado pela Carta Magna de 88.