ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 05/05/2019
Promulgada em 1988, a chamada Constituição Cidadã universalizou o acesso à educação a todo e qualquer indivíduo que integre a sociedade brasileira. Hodiernamente, todavia, esse direito não é garantido em sua totalidade, o que resulta em diversos impasses no que tange a plena formação acadêmica da classe surda no Brasil. Dos fatores que potencializam essa problemática, destacam-se a negligência do aparato governamental e o segregacionismo social.
De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, “todo e qualquer desrespeito a honra, mesmo que não seja efetuado por meios físicos, configura-se como uma agressão simbólica”. Presentemente, a ideia do pensador é um claro meio de comparação em relação ao descaso público e inconstitucional do Governo Federal em relação aos surdos. Exemplo disso é a lamentável condição a qual são deixados os deficientes auditivos no que tange o déficit estrutural em instituições de ensino públicas, onde o corpo docente nem sequer tem conhecimento de LIBRAS, segunda língua oficial do Brasil.
Cabe mencionar, também, em segundo plano, o papel obstrutivo da sociedade como uma das principais mazelas em relação a formação educacional dos surdos. A lógica marxista definiu que “só se transmite aquilo que a classe dominante deseja.”. Atualmente, é possível estabelecer relações contemporâneas acerca do papel definido, comumente, ao surdo na sociedade brasileira. A “estereotipização” da pessoa surda como incapaz e até mesmo inócuo representa uma forma da classe dominante perpetuar conceitos errôneos e afastar todo indivíduo que, supostamente, diminuiria desempenho dessa elite, geralmente associada a padrões estéticos e biológicas. Em síntese, o atual espectro educacional da sociedade brasileira, lamentavelmente, representa um ambiente intolerante e segregado, o que gera um alto índice de evasão e marginalização desse grupo social.
É notório, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de mitigar a problemática. Por isso, é dever do Estado, realizar, por meio do MEC, investimentos a curto prazo, para a realização de palestras e debates acerca do funcionamento de LIBRAS, o papel do surdo no ambiente social e a sua respectiva constituição biológica, com o fito de capacitar intelectualmente funcionários e alunos, pondo fim a visões errôneas e preconceituosas que se encontram estigmatizadas na sociedade. Outrossim, o Poder Público deve direcionar ações afirmativas de curto prazo ligadas à plena estruturação de instituições públicas, por meio da instalação de aparelhos projetados exclusivamente a esse público e a implantação de uma metodologia de ensino voltada a incluir totalmente o surdo ao ambiente educacional e ao mercado de trabalho, com o intuito de diminuir a atual distância entre o público deficiente auditivo e os demais e, por conseguinte, diminuir a evasão escolar comum nesse grupo.