ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 10/06/2019
Sob a perspectiva de Aristóteles, a educação somente é possível através da audição, logo, surdos não seriam capazes de adquirir conhecimento. Compartilhando a mesma visão, a população grega da época considerava essas pessoas inválidas e as condenavam à morte. Atualmente, é fato que tais afirmações não possuem fundamento. Entretanto, o preconceito permanece presente na sociedade e reflete no descaso educacional e na falta de oportunidades no mercado de trabalho a esses indivíduos. Por isso, torna-se necessário analisar o problema para que se possa contorná-lo.
Em primeiro lugar, é importante destacar como a educação inclusiva é negligenciada pelo Estado brasileiro. Isso acontece devido ao baixo investimento destinado à capacitação e a contratação de professores especializados, assim como a desvalorização do ensino da Libras- segunda língua oficial do país- que deveria ser ofertada pelo poder público, segundo a Constituição. Nesse contexto, é possível compreender as dificuldades na inserção de alunos surdos no ambiente escolar, já que a comunicação necessária para o aprendizado e interação social é comprometida.
Em segundo lugar, o preconceito interfere diretamente na carreira profissional desses indivíduos. Em consequência da ignorância de grande parte da população, os surdos são , muitas vezes, vistos como inferiores intelectualmente. Dessa maneira, ingressar no mercado de trabalho tornou-se um desafio e contribuiu para a exclusão dessa parcela da sociedade, assim como na Grécia Antiga. No entanto, conforme o filósofo Immanuel Kant, os seres são dotados de dignidade e não preço, assim, é preciso compreender que todos são iguais e devem possuir os mesmos direitos, sem distinção.
Com o intuito de amenizar essa problemática, o Ministério da Educação deve promover a capacitação de profissionais e a oferta do ensino de Libras na rede pública, por meio de verbas governamentais, a fim de assegurar um ensino de qualidade e a inserção desses indivíduos na sociedade . Ao mesmo tempo, as escolas devem inserir discussões sobre o tema, por intermédio de palestrantes, com a participação de especialistas, que debatam sobre o preconceito e modo de vida de deficientes auditivos, com o objetivo de incentivar o melhor convívio social. Feito isso, as barreiras impostas à educação de surdos desde o período aristotélico poderão ser ultrapassadas.