ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 17/06/2019
A declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948, como reação às atrocidades cometidas na Segunda Guerra Mundial- assegura a igualdade, dignidade e justiça no âmbito internacional. Conquanto, no Brasil, percebe-se que os deficientes auditivos não desfrutam desses direitos inalienáveis, pois, enfrentam grandes desafios na sua formação educacional,seja em relação a precariedade da estrutura para tal, bem como o preconceito sofrido ao longo da mesma.
A priori, nota-se o descaso do Estado em atender e garantir a necessidade dos surdos, visto que, não oferece nas escolas regulares, interpretes de libras para a plena comunicação, e nas escolas especializadas, os recursos e materiais para sua formação não apresentam a devida qualidade. Atitude essa que converge com a frase do educador brasileiro, Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse contexto, tal máxima, comprova que enquanto o governo não investir na educação, a sociedade continuará desigual e excludente, principalmente com os deficientes auditivos e por isso, estes, acabam assumindo empregos desvalorizados e mal remunerados, os quais não os permitem ter uma boa qualidade de vida.
A posteriori, verifica-se a que os PCD’s (pessoa com deficiência) são discriminados de “incapazes” pela sociedade, a qual incita sua falta de capacidade intelectual, pelo fato de terem surdez.Essa inverdade corrobora para desencoraja-los de continuarem ou entrarem em uma escola. De acordo com Noberto Bobbio, filósofo italiano, o preconceito é uma opinião errônea, aceita passivamente sem ser refletida racionalmente. Nesse contexto, comprova-se que atos intolerantes são,em geral, consequências de uma formação moral deturpada, a qual não instigou o senso crítico e a racionalidade para posteriormente gerar a tolerância e o respeito às diferenças, importante para um convívio saudável. Desse modo, mostra-se a ineficácia das famílias e escolas em desenvolver esse tipo de pensamento para desestimular o preconceito.
Portanto, é mister que o Ministério da Educação e Cultura disponibilize,através de verbas,interpretes de libras para as escolas regulares que têm tal demanda,além de oferecer aos professores cursos gratuitos de libras-nos horários vagos- para uma melhor comunicação e aprendizado com os alunos especiais. Nestas mesmas escolas, devem ser feitos debates, palestras e atividades lúdicas educativas que tenham a finalidade de desenvolver o senso crítico e a tolerância com as diferenças-em especial os PCD’s-, para evitar algum futuro ato discriminatório e tornar a sociedade mais igualitária. Em adição as escolas especializadas devem ser reformadas, pelo direcionamento de verbas, em relação a infraestrutura e ao material didático.Assim, essa minoria finalmente poderá usufruir de seus direitos.