ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 23/07/2019
Surdez invisível
A criação, em 1988, do ensino de jovens e adultos (EJA) de Paulo Freire, educador brasileiro, que tem como objetivo proporcionar autonomia além de garantir, mesmo que de maneira discreta, a inclusão social e política desses indivíduos comprova que a escola para surdos de 1857, criada por D. Pedro II, tem um cunho excludente em sua idealização, pois, com mais de 130 anos de existência que o EJA, a escola ainda é pouco inclusiva. Os fatores limitantes da educação de qualidade para deficientes auditivos perpassam por preconceito, devido ao desconhecimento de leis e/ou da ciência, e a má formação de professores.
A urgência de inclusão dos indivíduos surdos na sociedade brasileira é comprovada pela quantidade de leis que tentam assegurar direitos básicos desses cidadãos. A invisibilidade que esse grupo social sofre impede a sua própria formação educacional, pois a ausência da LIBRAS nas escolas públicas é uma cruel realidade. Embora ganhos como a obrigatoriedade de legendas em telejornais em rede aberta aconteça, existe um hiato que é evidente quando se analisa o que a sociedade brasileira tem de informação sobre tal deficiência e esse desconhecimento corrobora para o preconceito instaurado desde o Império.
Os cursos de formação de professores, no Brasil, são, frequentemente, alvos de julgamentos e apedrejamentos devido aos rankings de avaliação do Ministério da Educação. Isso ocorre em parte porque a tecnologia avança numa velocidade muito superior aos estudos sobre a busca de maior eficiência de aprendizado dos alunos e de capacitação dos educadores, embora exista o lado amargo que é a desqualificação do professor pela atual sociedade. Tal situação dificulta o interesse desse profissional de buscar meios para incluir grupos minoritários, como dos deficientes, em sala de aula.
A compreensão de que pessoas com deficiência auditiva podem ser capacitadas para exercer função laboral, além, claro, de concluir uma formação acadêmica e estar apto para concorrer de forma justa com qualquer outra pessoa, deve ocorrer por meio de campanhas informativas vinculadas pelo Ministério da Educação de forma nacional e palestras educativas em escolas e empresas realizadas por secretarias de educação dos municípios a fim de desmistificar a incapacidade dos indivíduos surdos e, assim, garantir a verdadeira inclusão social. Quanto à capacitação dos profissionais envolvidos na formação dos indivíduos surdos, faz-se necessário a fiscalização por órgãos competentes e a comprovação de que esses futuros profissionais dominem a LIBRAS, bem como, a didática necessária para atender a demanda da melhor forma possível.