ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 12/08/2019

Segundo o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser. Portanto, cabe ao homem ser responsável por suas atitudes. Porém, no Brasil, em pleno século XXI, isso não passa de uma teoria, visto que os desafios para a formação educacional de surdos ainda está em debate – o que explicita a ausência de Políticas Públicas para a manutenção do bem-estar social.

No Brasil, indubitavelmente, existe ação do governo para proporcionar condições dignas aos surdos. Pode-se mencionar, por exemplo, a Constituição Federativa vigente no país, cujo objetivo – dentre outros direitos-, é garantir uma educação de qualidade a todos os indivíduos, independentemente de sua natureza. Isso, de certa forma, demonstra que o Estado já intenta contemplar as ideologias do Existencialismo.

Contudo, medida como essa não capaz de atenuar, verdadeiramente, os dilemas para a formação educacional de surdos no Brasil, pois, devido à falta de investimentos – que além de possibilitar consequências físicas e psicológicas, pode comprometer planos futuros-, o que se observa, na maioria das camadas sociais da nação, são níveis alarmantes de despreparo de profissionais especializados na área e a exclusão, motivados, principalmente, pela ausência de aplicações positivas neste público. Percebe-se, pois, as consequências da fragilidade da educação oferecida à maior parte da sociedade, que não prepara os indivíduos para exercerem, de fato, sua cidadania. A verdade é que, o impasse para a formação educacional de surdos no Brasil não será atenuado, enquanto o Estado não pautar a educação na responsabilidade de forma que contribua para o convívio em sociedade, afinal “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”,  diz o filósofo francês existencialista Jean-Paul Sartre.

Depreende-se, pois, que há a necessidade de investimentos no Ensino Básico – o que já é assegurado pela lei de Diretrizes e Bases, n°9.394/96. Para tanto, é plausível que o Estado, por meio do Ministério da Educação, não só contemple os componentes curriculares de Ética e Libras, mas também – em parceria com as escolas- disponibilize capacitações para professores se especializarem em Educação Especial e Atendimento Educacional Especializado, com a finalidade de não apenas conscientizar, além de instruir e moralizar, e, por consequência atenuar os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Se assim for feito, a maior parcela da nação desfrutará dos princípios existencialistas.