ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 19/09/2019
Em 26 de setembro de 1857, no Brasil imperial, fora criada a primeira escola de educação de meninos surdos. O que antes era sinal de orgulho, hoje é sinal de descaso. Na sociedade tupiniquim isto ocorre seja pela falta de estrutura necessária para atender a demanda de alunos surdos, seja pela dificuldade do uso e difusão da linguagem brasileira de sinais.
A priori, o pouco investimento em políticas públicas direcionada aos deficientes auditivos evidencia essa problemática. De acordo com o Instituto nacional de educação e pesquisas, em 2016 foram inscritos pouco mais de cinco mil alunos com deficiência auditiva em salas especiais, quase um quarto do número destes mesmos alunos matriculados em classes comuns. Visto isso, fica clara a necessidade de investimentos direcionados ao público estudantil surdo.
Outrossim, o contato mínimo da população com a Linguagem brasileira de sinais (LIBRAS) dificulta ainda mais a inserção do jovem surdo, principalmente na sala de aula. Segundo o filósofo alemão Hans Jonas, a base de uma sociedade está no fato de, sendo esta sustentável, construir seus fundamentos pensando nas gerações futuras, e se isto não ocorre algo precisa ser revisto. Um destes fundamentos é o estabelecimento da comunicação entre os deficientes auditivos e o restante da população através do incentivo ao uso da LIBRAS. Como visto, a verdadeira inclusão destes indivíduos que possuem esta condição só será plena com a também inclusão de sua comunicação com o restante da sociedade.
Portanto, a falta de estrutura específica e incentivo ao uso da LIBRAS intensificam a dificuldade da integração e, por conseguinte, formação educacional dos surdos no Brasil. Mormente, o ministério da educação, por meio do governo federal, deve captar recursos e verbas necessárias para aumentar o investimento direcionado as políticas públicas da população surda brasileira, sobretudo na educação, garantindo o direito constitucional à educação básica. Paralelamente, as escolas públicas em conjunto devem, através de manifestações e pressão pública, evidenciar a necessidade de colocar a LIBRAS na Matriz Comum Curricular do ensino Brasileiro, facilitando a comunicação dos surdos com o restante da sociedade, garantindo sua inserção nas escolas e demais esferas sociais. Sendo assim, teremos a sociedade sustentável tanto almejada por Jonas.