ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 27/09/2019

Até o século XV, os surdos eram mundialmente conhecidos como ineducáveis. Com a desconstrução desse pensamento, esses indivíduos começaram a ganhar mais atenção, no entanto a educação dessas pessoas ainda é negligenciada por parte das autoridades, as escolas são mal preparadas e não há incentivo para que ingressem em um ensino superior, que faz com que muitos desistam.

Em primeiro plano, destaca-se que as instituições de ensino não possuem preparo suficiente para receber e educar de forma eficiente pessoas surdas. Isso acontece porque, apesar da Língua Brasileira de Sinais - Libras ser considerada a segunda língua oficial do Brasil, grande parte das escolas ainda não disponibilizam intérpretes. Em consequência a isso, os alunos que optam pelas escolas “não inclusivas” acabam tendo seu aprendizado prejudicado, fazendo com que muitos não concluam os estudos, visto que nem todos podem ter acesso as tais escolas inclusivas.

Por conseguinte, aqueles que conseguem concluir o ensino médio, mesmo com todas as dificuldades, raramente recebem incentivo para ingressar no ensino superior. Segundo pesquisas da USP - Universidade de São Paulo, menos de trinta por cento das universidades disponibilizam seus editais na língua de sinais, taxa que cai ainda mais para aquelas que possuem intérpretes em suas salas de aula. Devido a isso, esses indivíduos acabam tendo ainda mais problemas no mercado de trabalho, uma vez que, além de grande parte deles não possuírem diploma, ainda sofrem com o preconceito.

Torna-se evidente, portanto, que o Ministério da Educação deve ampliar as leis para surdos, disponibilizando intérpretes para as escolas públicas, de forma que facilite o ingresso desses estudantes, além de preparar os professores para lidar com essas pessoas, por meio de palestras e “workshops” em dias de planejamento escolar, tornando a língua de sinais de fato obrigatória. Dessa forma, ocorrerá um aumento gradativo de surdos nas escolas, tornando-as mais inclusas.