ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 30/10/2019

Nos quadrinhos,o personagem “Demolidor” vence os obstáculos cotidianos em função da cegueira e torna-se um herói. Fora da ficção, entretanto, no que concerne À população surda, vieses como a educação escolar deficitária e o preconceito social impedem que o deficiente auditivo alcance seus objetivos como cidadão. Por isso, analisar os efeitos desse impasse é medida que se impõe na atualidade brasileira, a qual não inclui, de fato, essa comunidade na esfera social.

Precipuamente, salienta-se a precariedade do sistema de ensino voltado aos que não escutam. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. À luz desse pensamento, entende-se a importância do estudo na vida do indivíduo e como ele é capaz de influenciar seu futuro. Porém, a educação plena é restrita, somente, aos ouvintes, visto que os surdos são negligenciados pela falta de inclusão nas redes educacionais. Ademais, a frágil difusão da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e o ínfimo número de profissionais capacitados nas escolas do país evidenciam o descaso estatal perante os deficientes auditivos, os quais são fortemente limitados pelo desconhecimento linguístico da segunda língua nacional entre os brasileiros. Nesse contexto, faz-se primordial reconhecer e amparar as especificidades desse público no Brasil.

Outrossim, é incontrovertível que a discriminação da sociedade também entrava o êxito estudantil dos não ouvintes. Conforme o político renascentista Nicolau Maquiavel, o preconceito tem raízes mais profundas que os princípios. Esse conceito é visualizado na criação da primeira escola direcionada a meninos surdos, no Império de Dom Pedro II, em 1857, que promovia a segregação social desse grupo e vetava suas relações interpessoais. Embora esses deficientes não sejam mais excluídos do meio, percebe-se, na contemporaneidade, os reflexos da aversão ao “diferente” na intolerância populacional, o que desestimula a entrada dos que não ouvem no âmbito escolar. Sob esta ótica, é inadmissível que a repressão humana configure, ainda, um empecilho na educação desses integrantes.

Dado o exposto, portanto, urge que os desafios para a formação educacional de surdos sejam extinguidos do Brasil. Primeiramente, é ideal que o Governo assegure uma educação completa aos deficientes em questão, por meio da contratação de profissionais habilitados em LIBRAS em todas as escolas do país, inclusive as públicas, com o fito de garantir que esses cidadãos sejam igualmente educados no país. Além disso, é essencial que o Estado atenue a supracitada discriminação dos brasileiros, mediante exposição de propagandas sensibilizadoras nas mídias que difundam o respeito aos telespectadores, para que o público surdo seja contemplado e consiga vencer, assim como Demolidor, as barreiras de sua deficiência.