ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 30/01/2020

O filme “A família Beliér” retrata a história de vida de uma família de agricultores no interior da França, que produzem e comercializam queijos. Paula é uma adolescente que assume muitas responsabilidades, porque seu pai, sua mãe e seu irmão são surdos. Ela realiza um trabalho árduo na banca de queijos, intermediando entre os clientes e os pais. Na comparação da ficção com a realidade contemporânea brasileira, observa-se dificuldades bastante semelhantes enfrentadas pela população surda, seja pela discriminação enraizada na sociedade, como também pela dificuldade de acesso a estruturas educacionais especializadas.

Em primeira análise, destaca-se a questão do preconceito contra os alunos surdos, vistos como deficientes sem a mesma capacidade de desenvolvimento e evolução que os ouvintes. São pessoas estigmatizadas como usuários de uma língua (Linguagem Brasileira de Sinais) inferior, e acabam sendo tratadas no espaço institucional como tal. Historicamente, pessoas indivíduos deficientes, eram entendidos como seres amaldiçoados, e acabavam sendo excluídos do contexto social. Heródoto (geógrafo e filósofo grego que viveu por volta do ano 444 a.C.) classificava os surdos como a consequência do pecado de seus antepassados, considerando a surdez como um castigo dos deuses.

Outrossim, a situação educacional dos alunos surdos é alarmante, mesmo considerando a Lei de número 10.436 do ano de 2002, a qual prevê que a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é um meio legal de comunicação, e que toda criança surda tem o direito de ser matriculada com crianças ouvintes de sua idade. O direito linguístico é desrespeitado, no momento em que se identifica a presença de professores totalmente leigos em sala de aula. A metodologia utilizada para ensinar também não facilita a inclusão, já que os recursos visuais, caminho ideal para o ensino de quem não ouve, não recebe a devida importância dos professores e das instituições de ensino.

Infere-se, portanto, que o caminho para a interação social e autonomia dos surdos é uma educação bilíngue de qualidade, o qual é um direito conquistado em lei. É impreterível que o Governo Federal amplie campanhas de conscientização sobre a importância do respeito às diferenças pela TV e redes sociais, e faça investimentos em tecnologia nas instituições de ensino. Famílias devem criar o hábito de dialogar mais com suas crianças e ensiná-las sobre aceitação e justiça, já que, cabe justamente aos pais, a função de moldar a personalidade humana dos filhos. As escolas devem considerar a Língua de Sinais como primeira língua para os alunos surdos, e promoverem capacitações para os professores, a fim de que aprendam Libras e compreendam a importância de preparar aulas dinâmicas através do uso de ferramentas tecnológicas, como os computadores.