ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/04/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra até o topo de uma montanha eternamente. Porém, vencido pela exaustão, antes de alcançar o fim do rochedo, a pedra rolava de volta ao solo e o condenado deveria tentar subi-la novamente. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta dos surdos para tentar passar a barreira que os separam do direito à educação. Portanto, é possível afirmar que, devido à negligência política e ao preconceito social, a formação educacional brasileira de surdos é um desafio.
A Constituição de 1988 assegura o direito à educação de qualidade dos deficientes. Consoante, para o economista britânico Lewis, a educação nunca é uma despesa, mas um investimento com retorno garantido. No entanto, na realidade brasileira, poucas escolas oferecem uma educação inclusiva. Isso se deve, principalmente, ao baixo número de professores especializados no cuidado com os deficientes auditivos. Assim, os direitos permanecem no papel.
Ademais, até os dias atuais, há a discriminação contra deficientes. Isso é consequência dos padrões criados pela imaginação coletiva, que exclui as pessoas, que segundo eles não são consideradas como “perfeitas”. Para o filósofo Denis Diderot, a ignorância não está tão distante da verdade como o preconceito. A intolerância, portanto, é um empecilho para a integração social de surdos no ambiente escolar, uma vez que estão expostos ao preconceito e a não aceitação social dos colegas que integram o mesmo ambiente.
Portanto, ao considerar os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. O governo deve investir na formação educacional dos professores, para que eles tenham conhecimento sobre os cuidados necessários e voltados à necessidade de cada aluno, garantindo, assim, a educação de qualidade dos deficientes promulgada na Constituição. Ademais, a escola, além do bom ensino, deve educar os alunos para a responsabilidade social e cidadania, auxiliando, assim, no combate à discriminação. Desse modo, haverá uma sociedade tolerante e com ensino inclusivo, que atende às necessidades dos cidadãos.