ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 14/04/2020
O filme “O Milagre de Anne Sullivan“, baseado em fatos reais, expressa as situações de conflito e a dificuldade do processo educacional enfrentado pela professora Anne na educação de uma aluna surdo e cega, Helen Keller. Diante disso, fica clara a importância do educador, visto que, grande parte das escolas públicas não possui estrutura física e material humano qualificado para a inclusão de alunos especiais. Nesse sentido, observa-se um cenário moroso, seja pela inação do Estado, seja pela debilitada formação dos docentes.
É válido ressaltar, primeiramente, como a inércia governamental pode contribuir de forma negativa para a qualidade escolar. Prova disso é que mesmo recebendo uma ajuda de custo de 20%, em seu salário, pela regência de aluno especial, o educador não recebe por parte do município um treinamento específico em libras ou em gerenciamento de sala dificultando o processo de ensino e aprendizagem, com esse recurso servindo apenas como “abono”, e o discente em sala não acompanhando os demais. Dessa forma, a escola não apresenta o papel de mitigar as diferenças e sofre com os poucos recursos repassados, impossibilitando-a de reduzir as diferenças.
Há, também, uma má formação pedagógica dos professores, o que atinge diretamente os alunos, principalmente, os que necessitam de maior atenção. Em consequência disso, temos uma marginalização do aluno especial, uma vez que por falta de conhecimento dos tutores, esses acabam vivendo na periferia da escola, e, sofrendo com a intolerância dos alunos, que como dissertava o filósofo brasileiro Paulo Freire “é a incapacidade de se conviver com o diferente”. Com isso, cabe uma maior atenção das Universidades na formação dos docentes.
Destarte, medidas concretas são necessárias para atenuar essa formação retrógrada. A escola pode por meio de seu Projeto Político Pedagógico instituir o ensino de libras, para seus alunos. Isso pode ser feito com a ajuda da sociedade civil organizada, mediante mini-cursos, palestras e peças teatrais, com o fito de tornar a convivência entre alunos especiais e seus colegas de classe a mais harmoniosa possível. Talvez, desse modo, assim como Helen Keller - primeira pessoa surdo e cega a concluir um bacharelado - outros alunos surdos possam ter uma formação digna.