ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 29/04/2020

Desde o iluminismo,entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a precária condição da educação ofertada aos surdos no país verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste particularmente ligada a realidade do país. Nesse contexto, torna-se claro a insuficiência de estruturas especializadas no acompanhamento desse público, bem como o entendimento acerca do papel social desse arranjo.

É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Tal fato se reflete nos escassos investimentos governamentais em qualificação profissional e em melhor suporte físico, medidas que tornariam o ambiente educandário mais inclusive para os surdos, e devido à falta de administração e fiscalização pública por parte de algumas gestões isso não é firmado.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o preconceito da sociedade que ainda é agente ativo na segregação dos deficientes auditivos frente à sociedade. Um exemplo disso é a difícil introdução dos surdos no mercado de trabalho devido á intolerância inerente á sociedade brasileira. Seguindo essa linha de raciocínio, o historiador Nicolau Maquiavel sustenta a ideia que os preconceitos têm raízes mais do que os princípios. Assim uma mudança nos valores da sociedade é imprescindível para transpor as barreiras a construção educacional dos surdos.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve inserir deficientes auditivos nas escolas, através da admissão de intérpretes e disponibilização de vagas em fundações integradoras, com o propósito de efetivar a inclusão social de surdos, considerando que a escola é a principal arma do Estado. Ademais, como já dito pela pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo. Logo, é dever do Estado à criação e implantação de um projeto nas escolas o qual promova palestras e apresentações artísticas que discutam a pluralidade a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos, a fim de que o tecido social brasileiro se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.