ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 06/05/2020

“O pior mal é aquele visto como cotidiano” . A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt, aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certos problemas. Nesse contexto, destaca-se o desafio da alfabetização de surdos, que, muitas vezes, se vêem impedidos de frequentar a escola por falta da estrutura necessária para suas necessidades. Sendo um problema que está diretamente ligado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela indiferença social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que garantam que instituições de ensino possuam condições básicas de infraestrutura específicas para surdos, como o intérpretes de Libras. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar educação de qualidade para todos os cidadãos. De certo, esse descaso com a educação se demonstra na pesquisa realizada pelo, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE de 2019, que diz que no Brasil existem mais de 11 milhões de analfabetos.       Outrossim, destaca-se a cultura da permissividade de uma parcela da população, que devido ao senso comum, acaba não percebendo o prejuízo social causado pela privação da educação para os surdos, e, consequentemente, não cobra de forma efetiva políticas de atenuação desse problema. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser verificado na representatividade política do congresso nacional, que serve como espelho para os anseios da população, pois, de pouco mais de 500 deputados apenas 1 possui alguma deficiência.

Diante desse cenário, é mister que o Ministério Da Educação garanta que surdos tenham acesso à educação continuada, por intermédio da capacitação de professores e servidores em LIBRAS e também fiscalizar escolas particulares para verificar a existência de intérprete, a fim de ampliar a acessibilidade para a população, sendo isso necessário para a superação do desafio da educação de surdos no Brasil. Além disso, instituições educacionais devem promover o debate sobre acessibilidade, através de campanhas veiculadas nos principais meios de comunicação, como TV e Internet, para que, gradativamente , esse problema deixe de ser indiferente conforme o pensamento de Hanna Arendt.