ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 14/05/2020
Segundo a Constituição brasileira, no artigo 27, capítulo IV, é direito dos surdos terem o mesmo acesso e a mesma qualidade educacional das pessoas saudáveis. Entretanto, essa não é a realidade do país, visto que muitos deficientes auditivos não possuem acesso as aulas com Libras, impossibilitando o aprendizado. Desse modo, de acordo com o Inep em 2016, torno de 25% das matrículas de surdos em escolas são de ambientes com didáticas inclusivas. Portanto, vê-se que a falta de acesso às aulas especiais e o preconceito nas áreas profissionais e sociais, são os principais empecilhos da formação escolar dos surdos, bem como, o seu ingresso ao mercado de trabalho.
De acordo com a teoria de Kant “O homem nada mais é do que aquilo que a educação faz dele”, a inacessibilidade aos conteúdos educacionais, pode tornar os surdos pessoas sem perspectiva de vida, pois, não obtiveram as oportunidades e o conhecimento necessário. Isso se dá, pela precariedade do conhecimento da população em relação à Libras, que impossibilita os deficientes auditivos a aprenderem e socializarem. Também responsabiliza-se a escassa estrutura escolar para o recebimento desse tipo de aluno, que muitas vezes fica na sala de aula sem poder ter o mesmo entendimento dos demais. Sob tal ótica, essa problemática resulta na limitação da ascensão social e profissional, confirmando assim, a teoria de Kant.
Outrossim, surge-se a visão do preconceito dentro do mercado de trabalho com os indivíduos especiais. Os empregadores têm a visão que a deficiência dará prejuízos para a empresa, visto que a comunicação exige o domínio de ambas as partes em Libras. Contudo, mesmo que esse seja contratado, a exclusão social ainda é determinante, tornando o ambiente de trabalho desagradável ao deficiente. Sob esse viés, acaba-se retomando para a teoria de Kant, pois, sem trabalho o homem fica desmotivado a ascender, se tornando alguém diferente de quem seria caso tivesse obtido a empregabilidade, que em Kant, é a educação.
Diante disso, é imprescindível a adoção de medidas para resolver as problemáticas. Assim, o Ministério da Educação, deve construir escolas públicas especiais para deficientes auditivos, com monitores e professores especializados em Libras e com o currículo escolar congruente ao comum. Isso será feito por meio de verbas destinadas às escolas, proporcionais ao número de alunos saudáveis e especiais auditivos matriculados nas unidades. Além disso, o mesmo órgão juntamente a Câmara Estadual, devem realizar um debate e estabelecer uma legislação, que inclua um número mínimo desses para cada empresa, proporcional aos lucros anuais e quantidade de funcionários. Dessa forma, alcança-se a acessibilidade educacional e empregatícia integral a esses indivíduos brasileiros.