ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 22/05/2020
Na Roma Antiga, era permitido aos pais que tivessem filhos deficientes que os matassem por meio de afogamento ou abandono no Rio Tibre, aqueles que por ventura, sobrevivessem, eram explorados nas cidades ou passavam a fazer parte de circos. Hodiernamente, no Brasil, a Constituição de 1988 garante aos deficientes todos os seus direitos como cidadãos. Observa-se, no entanto, que os surdos no país não possuem uma formação educacional adequada e que são inúmeros os obstáculos que devem enfrentar para receberem um diploma. Desse modo, pode-se mencionar que os principais desafios para uma educação digna, dos surdos, envolvam a baixa quantidade de professores qualificados, para o entendimento e ensino de libras, e a mísera popularidade da Língua Brasileira de Sinais.
É relevante abordar, primeiramente, que segundo o Inep, Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa, a maior parte dos surdos no Brasil estão matriculados em escolas denominadas inclusivas. Entretanto, é sabido que os professores destas instituições não possuem uma formação adequada, em libras, para lidar com o ensino de alto padrão aos indivíduos que vivem com a surdez. Sob essa ótica, o filósofo Immanuel Kant, em seu artigo “O que é esclarecimento?”, defende que o ser humano para deixar de ser medíocre deve chegar ao conhecimento, o que garantirá a sua autonomia e o seu esclarecimento. Logo, percebe-se a importância de uma boa educação na vida de todas as pessoas, sem exceção.
Além disso, a Língua Brasileira de Sinais, foi reconhecida legalmente somente após o ano de 2000, o que retardou muito a sua popularização. Ainda assim, faltam leis que regulem e tornem obrigatórias o uso de intérpretes ou legendas nos meios midiáticos que envolvam recursos televisivos. Ademais, não há um ensino regular de libras na grade curricular das escolas brasileiras, corroborando assim para uma menor disseminação da língua supracitada. Outrossim, é fato que pouquíssimas pessoas possuem domínio na comunicação com pessoas surdas, impossibilitando, dessa forma, incríveis experiências sociais entre os indivíduos.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação deva criar um programa completo de pedagogia voltada ao ensino e a aprendizagem de surdos, promovendo cursos de orientação e desenvolvimento para professores de escolas públicas e privadas. Além disso, deve disponibilizar materiais e realizar campanhas com o intuito de conscientizar alunos e funcionários das instituições de ensino sobre a importância também da inclusão social. Bem como, providenciar um cadastro nacional e uma plataforma, que por meio de aplicativos, seja possível realizar “games” e aulas interativas possibilitando o domínio da Língua Brasileira de Surdos. Nesse sentido, caminha-se para um futuro que forma seres humanos mais autônomos e esclarecidos, como já previa o filósofo Immanuel Kant.