ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 30/06/2020

Sisífo, na Mitologia Grega, foi condenado por Zeus a rolar uma pedra todos os dias até o pico de uma montanha, que despencava quando atingia seu objetivo, fazendo-o repetir o movimento por toda eternidade. Sob esse viés, a situação do surdos não é diferente da de Sisífo, pois encontram inúmeros  desafios para o exercício da cidadania e seus direitos, principalmente em sua formação educacional no Brasil. Tal problema está interpenetrado no preconceito e na inação do Estado.

Constata-se, a princípio, que o preconceito vívido diariamente pelos surdos impede a sua formação educacional no Brasil. Consoante a filósofa Hannah Arendt, a pluralidade é inerente à condição humana, de modo que a sociedade deve se habituar a viver com o diferente. Nesse sentido, quando analisa-se a discriminação contra essa parcela da sociedade, vê-se que essa situação contraria a ideia de Arendt, pois está negando a pluralidade. Consequentemente, essa situação afeta a educação dos surdos, pois discursos de ódio podem atuar desenvolvendo um sentimento de incapacidade, o que faz com que a opção pela desistência da vida acadêmica seja mais promissor para sua integridade.

Outrossim, somado ao supracitado, a inércia do Estado potencializa ainda mais deformação educacional. Isso ocorre devido ao ineficiente quantitativo de medidas governamentais para modificar a situação da formação dos surdos no Brasil, seja pela punição dos que disseminam os ataques a essa substancial parcela da sociedade, seja pela melhor estruturação do sistema educacional - que atua como órgão de formação social. Sendo assim, tal situação vai de encontro contra a própria Constituição Federal de 1988, pois o artigo 3 estabelece que é dever da República garantir o desenvolvimento nacional e construir uma sociedade livre, justa e solidária.

Nessa perspectiva, portanto, é mister que medidas sejam tomadas para obliterar os desafios para a formação de surdos no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão de maior importância no que tange o desenvolvimento social, desconstruir o perfil preconceituoso da população, por intermédio da intensificação de aulas de Sociologia, a qual irá discutir os efeitos da discriminação sobre a vida do surdos, além de incluir, obrigatoriamente, a disciplina Libras, como forma de inclusão dos surdos na sociedade, a fim de coibir esse problema de vez. Ademais, o Estado deve, ainda, aliado ao Poder Executivo e Legislativo, acabar com a impunidade do preconceito aos surdos, por meio da criação de um pacote de leis denominado “Inclusão dos Surdos, o qual irá, mediante denúncias e criação de delegacias especializadas, fiscalizar e punir os crimes contra essa parcela da população brasileiro, fazendo com a situação de surdos deixe de ser análoga a de Sisífo.