ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 14/08/2020

O artigo 27 da legislação brasileira, outorgada em 1988, assegura o sistema educacional inclusivo voltado para os deficientes auditivos, em todos níveis escolares, visando fomentar a inserção desses grupos nas relações societárias civis e articular o máximo de desenvolvimento cognitivo dessa parcela populacional. Dessa forma, é cognoscível que, na contemporaneidade, no Brasil, o programa nacional escolar está longe de oferecer um programa auxiliar eficaz que insira os surdos na metodologia escolar, visto que esse sistema está amplamente defasado no país, trazendo uma grave problemática para inserir esses grupos, que vão do descaso estatal em criar projetos públicos que insiram os surdos no modelo psicológico atual, até os preconceitos vigentes na sociedade voltados a essa cota populacional.

A priori, percebe-se, que, no Brasil, a máquina governamental trata com indiferença a subsunção dos deficientes auditivos no sistema educacional. Essa afirmação ganha validade ao se observar os dados divulgados pelo Ministério da Educação - MEC - no ano de 2010, em que, cerca de apenas 44% das escolas brasileiras estão aptas para receberem os “surdos-mudos” e, aproximadamente, menos de 2% é o corporativo de professores de libras encontrados no sistema educacional brasileiro, demonstrando que o cenário educacional nacional é desestruturado. Á vista disso, é notório que falta projetos estatais e estruturação para tornar o campo educativo acessível e justo, principalmente, para o público que apresenta um déficit físico ou de cognição, que, em compêndio, são grupos marginalizados na participação social e no âmbito escolar.

Outrossim, nota-se que o preconceito acerca dos deficientes auditivos é fator limitante para inserir esses grupos no contexto socioescolar. Nesse viés, a escritora do blog " Crônicas da Surdez", Paula Pfeifer, aponta em uma das suas publicações, o preconceito como um retardador da inserção do público surdo no espaço escolar, uma vez que muitos se sentem excluídos e marginalizados desses locais, dado que, em muitos casos, a escola não cumpre o papel de integrador social. Nesse espectro, é compreensível que os estereótipos societários dificultam a participação dos surdos nas relações comunitárias, que, de modo geral, favorece o surgimento de doenças psicossomáticas nesse grupo.

Em suma, medidas são essenciais para mitigar os desafios enfrentados pelos surdos na educação brasileira. Primordialmente, o Ministério da educação deve criar um projeto nacional escolar que vise abranger todas escolas brasileiras, a qual a finalidade é inserir palestras e minicursos, por meio de sociólogos e pedagogos, cujo objetivo é promover a conscientização popular acerca da importância de integrar esse grupo nas relações escolares e articular a reflexão para romper os preconceitos voltados a esse público. Sendo assim, ações desse tipo garantirão um país mais próspero e igualitário.