ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 11/08/2020

Em “A Forma da Água”, obra vencedora do prêmio Oscar, a personagem Elisa, uma garota surda, apaixona-se pela Criatura, que também sofre com o mesma característica. Ainda que apenas ficção, a obra consolidou-se mundialmente conhecida e relembrou as dificuldades e desafios não apenas para o cotidiano, mas para a formação educacional de surdos no mundo e principalmente no Brasil. O preconceito inclusivo dos surdos entre os colegas e a negligência das escolas para com a educação adequada dos mesmos, comprovam a existência de problemas sociais, culturais e educacionais no país.

Compreende-se, em primeiro plano, a negligência educacional das escolas brasileiras em relação aos pequenos deficientes auditivos, tratados como seres extraterrestres, o que afeta diretamente na inclusão daquele aluno nos meios escolares, desde a alfabetização, até a preparação para aos vestibulares e mercados de trabalho. Outrossim, tal discrepância no tratamento e no ensino do deficiente resultam da ausência de professores, concomitantemente, dedicados ao ensino de não-deficientes e deficientes auditivos em sala de aula. Por conseguinte, entende-se o problema educacional do país, em relação ao surdo.

Vale ainda ressaltar, em segundo plano, o terrível desrespeito e preconceito da maioria dos alunos jovens não-deficientes, na presença de um colega deficiente auditivo. O “bullying”, mascarado de “brincadeira”, torna-se o maior inimigo do desenvolvimento psicológico do indivíduo em seu período escolar, pois afeta tanto o andamento dos estudos, quanto o comportamento social do surdo. Além disso, trata-se de um fator cultural, isto é, o estranhamento para com o diferente, o desconhecido e que ocorre, majoritariamente, na juventude e dentro das escolas. Portanto, observa-se a existência das complicações socioculturais.

Em suma, os desafios para a formação educacional dos surdos envolvem variados fatores, tais como o preconceito, a ignorância sobre a deficiência auditiva por parte da maioria, tal como seu julgamento por se tratar do desconhecido. Contudo, em prol da solução desses desafios, o Ministério da Educação em conjunto com o Governo federal devem reforçar a importância da existência de leis que favorecem os surdos e inseri-los, periodicamente, em programas governamentais, instituições e incentivar seu aparecimento em mídias de comunicação dominantes, como forma de mudança cultural e reputacional dos deficientes auditivos na sociedade. Logo, assim como em “A Forma da Água”, espera-se a possibilidade da existência de uma vida saudável e cheia de emoções que supere os preconceitos sociais residentes na contemporaneidade.