ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 24/08/2020
A primeira palavra foi água. Com uma mão, Anne Sullivan, professora de alunos com necessidades especiais, soletrava a palavra e com a outra derramava-se o líquido para que seus estudantes, notadamente surdos e cegos, pudessem aprender o significado e associá-lo aos movimentos dos dedos. Tristemente, nem todas as pessoas com deficiência auditiva, inclusive, no Brasil, conseguem ter acesso à educação de qualidade, continuada e acessível como prevê a Carta Magna do país. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um impasse no que toca à formação educacional de uma parcela da população, seja pela ineficiência estatal, seja pelo preconceito intrínseco da sociedade.
Mormente, o primeiro grande desafio a ser vencido é a carência de profissionais capazes de atender estudantes com surdez dentro de recintos escolares. Isso ocorre porque o Estado não investe suficientemente na formação de professores e também despreza a LIBRAS(Lingua Brasileira de Sinais), o que é evidenciado pela carência de uma matéria específica nos cursos de licenciatura que trabalhe esse código. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas “instituições zumbis”. Tristemente, enquanto isso ocorrer, alunos com deficiência auditiva terão de conviver com a educação comprometida.
Outrossim, outro grande fator que prejudica a formação de alunos com surdez é o preconceito que essas pessoas sofrem da sociedade. Sob tal ótica, é válido relembrar o fato ocorrido com Beethoven, músico alemão, que foi desestimulado a continuar seu trabalho pelos seus próprios colegas, quando descobriam a perda de audição, os quais afirmaram que ele jamais produziria melodias como antes, mas, felizmente, ele tinha memória sonora suficiente para continuar produzindo sinfonias estupendas. O que aconteceu com Beethoven pode ser associado com os estudantes surdos, que são, muitas vezes, desestimulados a estudar e a produzir simplesmente por não conseguirem escutar, o que revela um pensamento capacitista e preconceituoso, sendo necessário o rompimento desses paradigmas.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura(MEC), criar um pacote de inclusão aos alunos portadores de deficiência auditiva. Primeiro, deve-se criar uma matéria obrigatória de LIBRAS nos cursos de licenciatura(Matemática, Português etc) e, segundo, deve-se criar uma equipe pedagógica nas escolas para acolher e confortar alunos com surdez. Tais ações serão concretizadas mediante a concessão de verbas pela Secretaria do Tesouro Nacional, instituição que deve financiar esse pacote de inclusão. Assim, espera-se que o aprendizado de surdos seja pleno, com professores capacitados e sem preconceitos e exclusão.