ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 25/08/2020

Segundo a Constituição, não cabe somente ao Estado, mas também à família e às instituições escolares a garantia do acesso ao ensino de qualidade aos indivíduos deficientes. No entanto, o principal empecilho na educação de surdos no Brasil é a ausência de consonância entre as ações do Estado e da família para o incentivo ao ingresso desses jovens à instituições educacionais. Tal problemática advém do tratamento histórico piedoso aos surdos e da diminuta difusão do ensino de Libras nas escolas.

A princípio, deve-se pontuar que os surdos têm acesso à educação há 163 anos, quando foi fundada a primeira instituição educacional com atenção voltada à esses indivíduos. No entanto, segundo dados do Inep, o índice de matrículas de surdos no sistema básico de ensino declina desde 2011. Isso é reflexo do protecionismo promovido por pais e responsáveis, obstruindo as relações dos surdos com a comunidade e privando-os dos avanços na formação educacional.

Além disso, é pertinente ressaltar que mesmo com a garantia do ensino bilíngue aos surdos assegurada pela Constituição, não há propostas de inclusão destes no ambiente escolar, haja vista a restrição do ensino de Libras aos deficientes auditivos. Sendo assim, a comunidade surda, a qual é integrada pelos surdos, familiares, amigos e educadores, é reprimida, impedindo a ambientação desses deficientes no cenário escolar.

Torna-se evidente, portanto, que os entraves para a promoção da educação de surdos precisam ser superados com o auxílio do Estado. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação e Cultura incorporar o ensino obrigatório de Libras ao sistema educacional, ampliando-o à todos os estudantes, de modo a incluir os surdos no cenário escola e, consequentemente, ampliar a participação na comunidade surda. Nesse caminho, a atração dos surdos à escola através de mecanismos dos Estado irá inviabilizar a evasão escolar de incentivo familiar.