ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 30/08/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora aos desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, uma vez que, por mais vergonhosa que seja situação, poucos são esforços destinados para resolvê-la. Dito isso, vale destacar as causas e consequências dessa problemática que estão relacionadas à naturalização do problema aliada ao descaso estatal.

A princípio, é necessário pontuar que o desprezo à importância da inclusão de pessoas surdas naturalizou-se entre as civilizações, tornando-se algo comum do cotidiano das pessoas. Segundo o filósofo Hippolyte Taine, o homem é produto do meio, da raça e do momento histórico no qual vive. Por conseguinte, tende a replicar padrões enraizados na sociedade e que são transmitidos de geração em geração. Assim, lembra-se da Roma na Antiguidade, nesse período era permitido e recomendado por lei que os pais de pessoas as quais apresentassem alguma deficiência matassem seus filhos por meio do afogamento. Dessa forma, percebe-se que a falta de cuidado com esses indivíduos é um dilema de muitos séculos que até hoje permanece.

Além disso, salienta-se o descaso estatal como agravante desse problema. Sob esse viés, o sociólogo alemão, Dahrendorf, no livro “A lei e a ordem”, afirmou que a anomia é a condição na qual as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. De maneira análoga a esse pensamento, nota-se que o Art. 27 da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa Deficiente (LBIPD) , a qual assegura um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, encontra-se em estado de anomia, pois não é devidamente obedecida.

Portante, é mister que o Estado tome medidas para atenuar o quadro atual. Urge que o Ministério da Educação, através de verbas governamentais, torne obrigatório o ensino de libras para estudantes de todas as idades em todas as escolas do país, melhorando a comunicação e aprendizado de alunos incapazes de ouvir, consequentemente os incluindo na sociedade. “Inclusão é o processo de trazer para o nosso mundo pessoas, que de alguma maneira, foram retiradas dele”, disse Nara Minervino, graduada em letras. Somente assim, será possível nos retirar a LBIPD do seu estado de anomia, desnaturalizar o desprezo à situação de deficiente auditivos e finalizar tal escândalo.