ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/09/2020
“A segurança de alguns é, de fato, a insegurança para todos.” Essa frase atribuída ao ativista sul-africano Nelson Mandela, embora dita em contexto diferente, pode ser expressa como símbolo dos atuais desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Tal fato é fruto inegável do capitalismo que não prioriza aqueles que não produzem de acordo com seus anseios. Assim, dentre os fatores que contribuem para aprofundar essa problemática, podem ser citados a atuação de uma mídia superficial juntamente com a violência simbólica que tais deficientes estão sujeitos na atualidade. Dessa maneira, o exercício de uma mídia branda, alicerçada ao contexto capitalista, enaltece a questão desafiante no que tange à educação de surdos no país. Indubitavelmente, isso ocorre porque a mídia não oferece credibilidade e destaque àqueles que sofrem com as dificuldades e preconceitos diários, uma vez que ela alimenta o equivocado imaginário coletivo nacional de que esses não são tão eficazes quanto os que se ausentam de deficiência. Essa realidade muito se assemelha ao pensamento do filósofo polonês Zygmund Bauman, para quem “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte.”, já que esses indivíduos e o consequente descaso que sofrem, enquanto não veiculados, estão mortos perante os olhos da sociedade. Além disso, a violência simbólica, aliada à política neoliberal, também exacerba os desafios de se levar a educação aos surdos no Brasil. Notoriamente, é bastante claro que isso ocorra devido a cristalização do pensamento de que é o deficiente que deve se adequar ao espaço, uma vez que o espaço – diante da violência que exerce para com esses indivíduos – não se adequa a eles. Essa realidade está em paralelo ao pensamento da jornalista, advogada, comediante e deficiente Stella Young, para quem “Não existe deficiência, apenas diferentes corpos inseridos em espaço altamente rígido e normativo.”, já que o que falta não é capacidade, faltando apenas igualdade. Diante do exposto, os atuais desafios para a formação educacional de surdos no Brasil é uma problemática irrefutável na sociedade contemporânea. Assim, muito mais eficaz do que abranger os pontos periféricos dessa questão é atacar o seu cerne que são os valores capitalistas que permeiam o tecido social. Para isso, é necessário que o Governo Federal, juntamente com seus Órgãos acessórios e usando do Ministério da Educação, elabore um Plano Nacional de Educação aos Deficientes Auditivos que atue em todo território nacional. Tal plano constará na modificação das Diretrizes Curriculares Nacionais orientando a inserção e obrigação da linguagem de sinais (libras) na educação formal, além de propagandas e palestras financiadas pelo poder público que atuem em empresas de cunho privado e público e universidades, instruindo os indivíduos, a fim de que se solucione a questão da inadequabilidade das escolas e o preconceito que tais indivíduos sofrem. Soma-se também, de forma eficaz, a punição através de multas proporcionais ao patrimônio às escolas que não se adequarem a tal modificação