ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 23/09/2020
Na série “Crisálida”, presente na plataforma “Netflix”, jovens surdos enfrentam os desafios diários de uma sociedade estruturada apenas para ouvintes. Similarmente a ficção, encontra-se a sociedade brasileira, haja vista que, no Brasil, tanto os surdos como aqueles que possuem algum tipo de deficiência auditiva se sentem fadados a uma realidade em que a falta de profissionais qualificados e a exclusão social são constantes.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que segundo o IBGE, o Brasil possuí 2 milhões de pessoas surdas em seu território. No entanto, mesmo com esse alto índice de não ouvintes, a falta de profissionais qualificados, com fluência na língua dos sinais, ainda é um problema. Isso porque, o aprendizado da libras não é uma obrigatoriedade na graduação de um mestre e com isso, muitos profissionais acabam por não se especializarem no uso da língua. Assim, a falta de um ensino de qualidade para o surdo acarreta em uma má formação do jovem e com isso, maior dificuldade para esse ingressar no mercado de trabalho. Dessa maneira, é visível a importância da qualificação de profissionais para a erradicação de obstáculos ligados a integração dos surdos na sociedade brasileira.
Além disso, a exclusão social também é outro desafio na formação educacional do surdo. Isso porque, este é impossibilitado de conviver na sociedade em que pertence pelo fato de não conseguir se comunicar com os outros integrantes, os quais, na maioria das vezes, são ouvintes e não sabem se expressar em libras. Desse modo, não é incomum que dentro da comunidade surda os índices de suicídio sejam elevados, pela falta de convivência em sociedade. Por isso, alunos na Uniso - Universidade de Sorocaba- no intuito de estimular o debate sobre depressão e suicídio, reforçaram a importância da formação inclusiva dos profissionais da saúde, como os psicólogos, para a maior inserção do surdo na sociedade.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para que a comunidade surda seja melhor incorporada na sociedade brasileira, urge que o Ministério da Educação torne a aprendizagem em libras uma obrigatoriedade na formação profissional do educador, sendo isso, feito por meio de verbas governamentais. Desse modo, o estímulo financeiro poderá bancar professores de libras e materiais didáticos para a melhor aprendizagem do universitário público. Somente assim, a realidade da série Crisália não irá se assimilar tanto a sociedade brasileira.