ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 24/09/2020
É indiscutível que diante das mazelas que assolam o século XXI, os desafios para a formação educacional dos surdos representam ameaça à qualidade de vida desses cidadãos brasileiros. Esse quadro está intrinsicamente ligado a realidade do país, seja pela herança secular de discriminação, seja pela tardia inclusão social dessas vítimas da deficiência auditiva na educação do Brasil. Nesse sentido, é essencial a análise do cenário, que oriundo de aspectos educacionais e legislativos, necessita de intervenção para atenuá-lo.
Parafraseando o cientista alemão Albert Einstein, é mais fácil quebrar uma partícula atômica do que romper com um ideal preconceituoso. Nessa perspectiva, nota-se que a exclusão e discriminação contra surdos é oriunda da valorização dos padrões criados pela coletividade e representa um impasse para a inclusão dos deficientes auditivos na educação. Esse cenário segregatório e excludente reflete a crescente queda do número de matrículas na educação básica de deficientes auditivos, desde 2012, segundo o Inep. Assim, a superação de preconceitos é necessária para transpor as barreiras à formação educacional de surdos.
Outrossim, é possível afirmar que a tardia inclusão dos surdos na educação brasileira denuncia outro desafio da formação educacional desses cidadãos. Esse fato é confirmado com a concretização da primeira instituição educativa direcionada aos deficientes auditivos, que ocorreu apenas em 1857, além do recente reconhecimento da linguagem dos sinais (Libras) como segunda língua brasileira, segundo dados do Governo Federal. Essas medidas tardias, representam, portanto, um atraso na promoção da educação a esses indivíduos.
Intervir nas necessidades da questão é, portanto, indispensável para promover as transformações sociais requeridas. Faz-se necessário que o Governo Federal, em parceria com as grandes mídias do país, divulgue e promova a inclusão social dos surdos na educação, por meio da ampliação de vagas destinadas a esses deficientes nas escolas e nas universidades, por exemplo, objetivando maior inclusão social e educacional desses cidadãos. Além disso, cabe às escolas, enquanto formadoras de opiniões, a minimização do preconceito histórico, por meio da inclusão da temática como tema transversal no currículo das séries iniciais. Assim, com a finalidade de garantir equidade, o acesso à educação e à formação profissional digna aos deficientes auditivos. A somatória dessas ações atenuaria, portanto, as dificuldades da formação educacional dos surdos no país, bem como garantiria igualdade e qualidade de vida, o que é indispensável em uma sociedade que se rotula democrática.