ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 08/10/2020
Na Alemanha, durante a década de quarenta, foi imposta, concomitante ao genocídio judeu, uma política de extermínio aos deficientes, grupo considerado inválido e prejudicial ao desenvolvimento da nação. Analogamente, depreende-se, ainda nos dias de hoje, a marginalização dos portadores de deficiência, com destaque para as pessoas surdas, que acabam excluídas do modelo educacional vigente e carecem de direitos fundamentais como o acesso a mecanismos adaptados à sua condição. Diante disso, é indubitável a necessidade de discutir acerca dos empecilhos para a formação educacional dos deficientes auditivos, a fim de formular maneiras de conceder-lhes o devido tratamento.
Em primeiro plano, o Mito da Caverna de Platão retrata pessoas que recusam observar a verdade em virtude de sair de sua zona de conforto. Assim como na alegoria, a realidade brasileira apresenta a mesma problemática, visto que a sociedade, dificilmente, debate acerca dos direitos dos surdos e os trata como um grupo a ser segregado, o que reflete, diretamente, na percepção dos jovens, os quais têm receio de interagir com os deficientes e acabam por exclui-los das relações sociais. Com isso, tornam-se comuns casos de bullying nas instituições de ensino, que precisam ser combatidos por meio da informação e do diálogo, visto que, de acordo com o sociólogo Habermas, a linguagem atua como uma verdadeira forma de ação.
Em segundo plano, a animação japonesa “A Voz do Silêncio” aborda a história de uma menina surda, a qual é transferida de colégio e tem dificuldade de acompanhar as aulas devido a sua condição. É válido ressaltar, portanto, os obstáculos enfrentados pelos deficientes auditivos matriculados em colégios comuns, pois, além de haver uma falha na comunicação com os colegas, que, raramente, entendem a língua de sinais, ocorre também a ausência de profissionais de tradução e acompanhamento exclusivo pelos docentes. Assim, a escola, que, conforme Durkheim, é um local de socialização secundária, onde o indivíduo estreita suas relações e adquire conhecimento, passa a ser uma experiência hostil para os surdos.
Sendo assim, é fundamental que a comunidade surda seja integrada à sociedade, de forma efetiva, desde o ensino básico. Dessa maneira, é necessária a ação do Ministério da Educação, por meio do direcionamento de verba às escolas, para a implantação de medidas como a contratação de tradutores; a prática de aulas adicionais como forma de reforço aos alunos deficientes; a organização de palestras sobre inclusão social e a criação de uma matéria voltada para o ensino da linguagem de sinais. Dessa forma, será possível que os surdos gozem, plenamente, do direito à educação.