ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 13/10/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é justamente o oposto do que o autor prega, uma vez que a formação educacional dos surdos apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário é fruto tanto do descaso governamental, quanto da falta de infraestrutura que as empresas possuem para a empregabilidade de surdos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é fulcral pontuar que a difícil formação educacional dos surdos deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à citação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é o responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, dados do INEP apontam que de 2011 à 2016 houve uma queda linear de classes especiais para surdos na educação básica, o que dificulta uma formação educacional digna de um cidadão da sociedade e também reforça o preconceito com essas pessoas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Outrossim, vale ressaltar que o primeiro emprego para os jovens é a porta de entrada para a sua consolidação no mercado de trabalho. No entanto, a dificuldade para a empregabilidade dos deficientes auditivos gera um pensamento nos estudantes com a deficiência, de que não conseguirão ter oportunidades de emprego e com isso decidem por abandonar a escola. De acordo com pesquisa da agência Catho, 44% dos trabalhadores com algum tipo de deficiência já perderam alguma seleção de emprego por problemas de acessibilidade, dado inimaginável para um país em desenvolvimento.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a formação educacional de qualidade dos surdos no Brasil. Dessa maneira, necessita, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que por intermédio do Governo Federal, por meio do Ministério da Educação será revertido em plano nacional para a capacitação de professores e funcionários das instituições de ensino com cursos de libras para mudar a cultura destas instituições, acostumadas ao atendimento “padronizado” e assim inserir cada vez mais os surdos nas escolas para terem uma formação educacional. Desse modo atenuar-se-á, em médio e longo prazo o impacto nocivo dos desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil é a coletividade alcançará a Utopia de More.