ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 03/11/2020
Desde o “Século das luzes”, ocorrido no século XVIII, na Europa Ocidental, teóricos da época pregavam que uma sociedade só progride quando seus cidadãos se mobilizam com o intuito de solucionar conflitos do corpo social. Não obstante, verifica-se que os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil apresentam-se antagonicamente aos ideais iluministas, uma vez que estes prezavam pelo desenvolvimento social tendo como pilar a prosperidade a partir da educação da sociedade. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à negligência estatal e ao descaso social.
Em primeiro plano, a Carta Magna de 1988, concebida por meio do processo de redemocratização, prevê, como garantia fundamental, o direito à educação, independentemente das condições sociais e físicas. Entretanto, o próprio Poder Estatal, pela escassez de políticas públicas, fere a legislação. Nesse sentido, o Ministério da Educação não promove a criação de mecanismos que auxiliem na formação educacional de surdos, de modo que muitos não conseguem se inserir no mercado de trabalho, em função da ineficácia estatal no tratamento especializado dessa deficiência desde a base educacional. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura estatal.
Em segundo plano, é fulcral destacar que a problemática encontra terra fértil no descaso social. Consoante a isso, Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polaco, dizia que a falta de vigor nas relações sociais, políticas e econômicas é a peculiaridade da “modernidade líquida” vivenciada na contemporaneidade. Diante de tal contexto, caso o problema continue sendo tratado com desleixo, continuará apresentando-se como um estorvo para o desenvolvimento social, de maneira que contribuirá para que a taxa de pessoas com deficiências auditivas que possuem pouca participação no mercado de trabalho cresça, além de promover uma alta evasão escolar por parte dessa minoria.
Isto posto, é inegável a necessidade de intervenção no que tange à problemática. Para tanto, o Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, deve promover, em escolas e universidades, a contratação de profissionais capacitados que busquem, por meio de um ensino especializado, auxiliar a gerar uma equidade de desempenho entre deficientes auditivos e os demais alunos. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em níveis mundiais, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, as quais deverão ocorrer gratuitamente, tendo como finalidade a diminuição no número de casos e proporcionar uma consciência coletiva. Assim, a questão da dificuldade na formação educacional de surdos será amenizada.