ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 03/11/2020

De acordo com o filósofo Habermas, a linguagem é capaz de exercer um papel transformador, visto que constitui-se como protagonista na execução da democracia e garantia da liberdade. No entanto, apesar de sua importância, comunidades que apresentam dificuldades nessa comunicação, como a população surda, são desfavorecidas, visto que são impedidas de usufruir dos benefícios da locução, devido à falta de inclusão no país. Além disso, os prejuízos afetam também a esfera educacional e profissional, impossibilitando a igualdade dos indivíduos, como garante a Constituição Federal. Logo, urge a tomada de medidas capazes de atenuar as disparidades causadas pela falta de inserção desse público.

Primeiramente, cabe ressaltar a problemática da escassez de infraestrutura escolar para garantira de ensino de qualidade para a comunidade surda. A respeito disso, é válido a afirmação do educador brasileiro Paulo Freire, que pontuou sobre a educação ser habilitada a mudar as pessoas, para que estas possam transformar o mundo. Assim sendo, a fragilidade no suporte educacional para surdos ocasiona prejuízos futuros, como a baixa perspectiva profissional, desmotivação e diminuição de oportunidades na integração no mercado de trabalho, que já são baixas no que diz respeito à comunidades vulneráveis.

Outrossim, é importante apontar para o fato de o Brasil estar entre os sete países mais desiguais do mundo, como afirma pesquisas da ONU. Tal prerrogativa é esclarecida ao observar a ineficiência da aplicação das leis, na qual, ainda que garantam igualdade, liberdade e acesso à educação de qualidade, o que, na prática, não é colocado em vigor. Em convergência a isso, dados do site Agência Brasil demonstram que, embora o país possua 10,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, apenas 15% dessa parcela possui ensino médio completo, fato que elucida a despreocupação e carência de iniciativas em prol da mudança desse panorama caótico.

Portanto, é inegável a urgência da tomada de ações capazes de colocar em vigor a iguadade e liberdade para todos, assim como os preceitos garantidos pela lei. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com o Ministério do Trabalho a ação conjunta para contornar a situação. Podem atuar de forma a garantir vagas reservadas, tanto em escolas, como em faculdades e empresas, oportunidades de aprendizado e trabalho inclusivo e especial para os indíviduos com deficiência auditiva. Assim, o governo também deverá atuar na questão da distribuição de verbas e incentivos para a efetividade dessas iniciativas. Só assim essa parcela da população poderá gozar dos benefícios da linguagem, por meio da inclusão, igualdade, e posteriormente, liberdade.