ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/12/2020

No filme “Hoje eu quero voltar sozinho”, a escola do personagem Leandro, portador de deficiência, não possui estrutura capaz de incluí-lo, por isso ele depende da ajuda dos amigos. De fato, casos como o dele não se limitam a cenários fictícios e refletem a falta de inclusão nos colégios. Nesse sentido, debater acerca dos desafios para a formação educacional de surdos é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que a falta de infraestrutura inclusiva nas escolas acarreta no atraso de desenvolvimento das pessoas com surdez e é dever do Estado reparar essa conjuntura.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que apenas 0,6% das escolas públicas brasileiras apresentam infraestrutura ideal, de acordo com estudos da Universidade de Brasília. Nessa lógica, é válido afirmar que os colégios do país possuem dificuldade em garantir o básico aos estudantes, por isso, certamente também são desprepados para conceder inclusão educacional aos surdos. Segundo o sociólogo Anthony Giddens, a escola é essencial para ensinar conhecimentos científicos e transmitir valores pautados no respeito através do contato com pessoas e culturas diferentes. Logo, presume-se que o maior impasse para a formação escolar dos deficientes auditivos é o despreparo do país em oferecer escolas de qualidade e essa realidade compromete o aprendizado técnico e social dos indivíduos.

Ademais, por causa da situação crítica que as escolas brasileiras encontram-se, o Estado deve agir de maneira eficaz para findar essa conjuntura. Dentre esses efeitos, em 2015 o Brasil se comprometeu em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), nos quais uma das metas é promover educação universal. Por certo, o país demonstra despreparo em cumprir acordos internacionais ao não concretizar a universalidade escolar, uma vez que mais de 90% dos colégios públicos não possuem estrutura adequada e inclusiva. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o de Leandro não podem continuar a ser reflexo das escolas brasileiras, em questão com os surdos. Assim, é necessário que o Ministério da Educação, com ações das prefeituras, crie um projeto de melhoria escolares, com foco na inclusão dos surdos, por meio da inserção dos professores da linguagem de sinais nas aulas, com o intuito de ensinar essa comunicação à todos os alunos e traduzir às aulas aos surdos. Além disso, esse projeto deve contribuir para outras alterações nas escolas, como na melhoria das infraestruturas escolares, por intermédio de reformas nos períodos de férias. Enfim, a partir dessas ações, o Estado passará a oferecer uma educação universal, conforme acordado com a ONU.