ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 18/11/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU), assegura a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. No entanto, hodiernamente, essa vicissitude não é uma realidade, uma vez que, os desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil vem se tornando um problema complexo que deve ser revertido. Assim, seja pelo silenciamento acerca do tema abordado, bem como pela carência de uma educação especializada voltada para o público em questão, evidencia-se a indispensável necessidade de se mitigar o problema supracitado, a fim de se construir um país mais inclusivo.
Em primeira instância, é preciso salientar que a falta de debate é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse ínterim, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre o preparo educacional dos surdos. Outrossim, ainda que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 7,9 milhões de pessoas configuram-se como deficientes auditivos, estes sofrem uma exclusão por parte da sociedade pela ignorância da supramencionada, o que contribui com o aumento do escasso conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema refere-se ao desmazelo governamental. Consoante Aristóteles, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Entretanto, na realidade, essa teoria é deturpada, visto que, apesar do Estado garantir a toda a sociedade o direito a educação, cerca de 70% dos surdos, segundo dados do IBGE, estão atrasados nas escolas - se comparados aos demais alunos que não possuem deficiência -. Diante disso, pode-se inferir que a falta de preparo, organização e suporte das instituições de ensino bem como a de profissionais da área educacional é um fator determinante para a acentuação do problema.
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse problema. Para isso, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Estado, promova um espaço para rodas de conversa e debate sobre a questão no ambiente escolar, além de uma capacitação aos professores e funcionários da rede de ensino. Tais eventos podem ocorrer no período do contra turno, contando com a presença de professores e profissionais especializados na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Outrossim, esses eventos devem ser abertos à comunidade através dos principais meios de comunicação, a fim de que mais pessoas compreendam a importância de se promover a inclusão da população com deficiência auditiva não somente nas escolas, bem como na sociedade, e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações, poderá se consolidar um Brasil melhor.