ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 16/11/2020
Durante o período histórico conhecido como Antiguidade Clássica, mais precisamente na cidade-estado de Esparta, todos os recém-nascidos que apresentavam qualquer deficiência eram assassinados, pois, segundo a cultura espartana não estavam aptos àquela sociedade. Nesse sentido, o Brasil segue na mesma direção que a escola grega, promovendo a exclusão de deficientes auditivos no âmbito educacional, agravando assim, o cenário da problemática atual conjuntura no país.
No ano de 2002, a língua de sinais foi oficializada como segundo idioma nacional. Apesar das mudanças significativas ocorridas na legislação desde então, principalmente no tópico à acessibilidade, aos serviços de saúde e à inclusão social, a educação dos surdos foi muito pouco beneficiada. Isso porque o conceito de inclusão trata essencialmente da possibilidade de convívio num mesmo espaço, mas não prevê o compartilhamento efetivo de uma língua ou cultura em comum.
Deve-se analisar, a exclusão educacional de pessoas surdas como um sufixo da ineficiência de políticas públicas inclusivas do Estado. Para Kant, filósofo alemão, o homem é aquilo que a educação faz dele. Logo, percebe-se a importância da educação como ferramenta da ascensão social. Contudo, o Brasil caminha num sentido contrário ao pensamento Kantiano, uma vez que diverge, com grande escala, do ordenamento máximo em vigor, a Constituição Federal, por dificultar o acesso à educação necessário a essa parcela social. Através da inadequação das escolas públicas, cujas estruturas não englobam o casamento de Libras, por exemplo, torna-se inadmissível que necessidades especiais não façam parte das prioridades de um Estado Democrático de Direito.
O preconceito estabelecido no setor trabalhista justifica tal processo, pois impossibilita a contratação dessa parcela social, ainda que capacitada para essa função. Dessa forma, importa-se que pessoas surdas ganhem altos postos de trabalho, ganhando, com isso, destaque e, consequentemente, influenciando positivamente nas modificações perceptivas sobre eles.
Sendo assim, o investimento no preparo institucional, com a expansão do número de escolas bilíngues e a formação ampla de docentes intérpretes, também na rede regular de ensino, favoreceria o desempenho intelectual e social dos deficientes auditivos. Adicionalmente, a introdução das Libras como disciplina obrigatória na grade curricular é um fator que certamente contribuiria para aumentar o interesse dos estudantes na língua de sinais. O ministério do trabalho também deveria criar medidas que inspirassem esses deficientes para o mercado de trabalho e diminuir o arrocho tributário em empresas privadas que se disponibilizaram a contratar deficientes auditivos formados e capacitados para exercerem suas respectivas funções, servindo de inspiração a essas pessoas.