ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 17/11/2020
Sabe-se que na Idade Média os deficientes, como os surdos, eram tratados de formas divergentes em diferentes cidades. Em Esparta os bebês e as pessoas que adquiriam alguma deficiência eram lançados ao mar ou em precipícios, por não serem úteis ao exército, já em Atenas essas pessoas eram amparadas e protegidas pela sociedade. De forma análoga, o mundo contemporâneo se comporta como os espartanos, quando na verdade, deveria agir como os atenienses. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude do preconceito, destinado a quem possui problemas auditivos no Brasil, e da desqualificação de pessoas destinadas à formação educacional dessa minoria.
Em primeiro plano, deve-se analisar o porquê de existir dificuldades para surdos se formarem com qualidade no país. A falta de profissionais fluentes em libras nas escolas afeta a participação de estudantes que sofrem com a surdez no ambiente escolar, o que provoca maior dificuldade em socializar e agrava a exclusão social. Desse modo, vale citar Helen Keller que dizia que “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”, ou seja, é necessário inserir formas de incluir os deficientes auditivos nas escolas e em toda a sociedade para obter respeito e igualdade. Ademais, a escassa representatividade desses indivíduos na mídia e a ausência de informações sobre essa deficiência agrava a desilusão das famílias de que é admissível garantir uma vida normal para os surdos.
Em vista disso, é possível perceber as consequências do infortúnio. A desigualdade social e econômica do Brasil contribui para uma maior dificuldade de proporcionar um cotidiano comum aos surdos de classe média e baixa. Isso porque, tratamentos com fonoaudiólogos, aquisição de aparelhos auditivos e acesso a ferramentas que auxiliam a educação, como a internet, são privilégios da classe alta. Dessa forma, os brasileiros opõem-se ao 1º Artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos onde diz que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”, uma vez que a sociedade intolerante provoca a exclusão desse grupo. Essas atitudes despertam problemas psicológicos nos deficientes ao se sentirem impotentes e isolados pela dificuldade de comunicação.
Portanto, medidas são necessárias para minimizar o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação a tarefa de incluir a Língua Brasileira de Sinais nas escolas e faculdades - como matéria obrigatória - por meio de uma reforma na grade curricular, a fim de facilitar a comunicação de surdos com a maioria da população brasileira. Outrossim, compete à mídia o dever de promover maior representatividade de deficientes em filmes, novelas, propagandas publicitárias etc, por intermédio de parcerias com ONG’s destinadas aos deficientes auditivos, a vista de compartilhar informações e garantir a participação deles na sociedade. Assim, as cidades modernas terão atitudes tolerantes como a Antiga cidade de Atenas.