ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 24/11/2020

Durante o período conhecido como Antiguidade Clássica, mais precisamente na cidade-estado de Esparta, todos os recém-nascidos que apresentavam qualquer deficiência eram assassinados, pois, segundo a cultura espartana não estavam aptos àquela sociedade. Nesse sentido, o Brasil converge com a escola grega, gerando a exclusão de deficientes auditivos na educação, validando assim, a contextualização da problemática na atual conjuntura nacional. Diante disso, fatores como a escassez de investimentos governamentais e a falta de profissionais capacitados para contribuírem no aprendizado dos deficientes favorecem este lastimável quadro brasileiro.

Em primeira análise, verifica-se que a Constituição Federal de 1988, garante à todos os nativos o direito ao acesso à educação. Entretanto, apesar de ser assegurada por lei, a problemática acerca da formação educacional de surdos no Brasil é alvo de discussões, pela mínima visibilidade juntamente com a falta de investimentos governamentais para este grupo. Tal fato pode ser exemplificado, com um gráfico publicado pelo INEP, no qual apresenta que, em cinco anos as matrículas de alunos com deficiência auditiva caíram em 5 milhões no Brasil. A partir disso, é notório como esse público não é visado pelo governo, com falta de verbas nas instituições públicas, o que acarreta na inclusão deles na sociedade, visto que, na escola é onde temos a maior interação com pessoas e assim, gerando a baixa taxa de surdos que possuem a educação básica.

Outrossim, outro fator que auxilia essa entrave no país é a falta de professores qualificados para a contribuição do aprendizado dos surdos. Atrelado à essa situação, o Brasil é, historicamente marcado por um processo lento e gradual de transformações que busca integrar todos para uma participação ativa na sociedade. Assim, a atual falta de profissionais que possuem no currículo a fala em libras no mercado de trabalho é real, consequentemente, não dando muitas opções de contratação para o MEC, e sem meios que possibilitam uma maior autonomia em sala, os surdos tendem a perder o interesse no processo de aprendizagem.

Portanto, é um direito dos surdos à educação, cuja está sendo negligenciada e mudanças são necessárias para transformar o quadro vigente. Para isso, é de suma importância que o Ministério da Educação inclua em todas as instituições recursos de tecnologia assistida e profissionais preparados, com a linguagem em libras obrigatória na grade curricular, a fim de incentivar e ensinar os surdos, juntamente com o apoio e acompanhamento de psicopedagógicos, tudo com o intuito de alcançar o Estado democrático de direito e sanar este lástimavel quadro brasileiro.