ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Nesse contexto, tornam-se evidentes como causa dessa problemática o despreparo dos profissionais da educação frente à necessidade de maneiras alternativas de ensino para essas pessoas, bem como o descaso do governo diante da indispensabilidade da inclusão desses deficientes auditivos na sociedade.
Primeiramente, deve-se citar a diminuição das matrículas de surdos na educação básica entre 2012 e 2016, de acordo com o INEP. Isso se deve ao fato de que a dificuldade de aprendizado para eles é ainda maior, haja vista que seu direito a uma educação de qualidade e inclusiva muitas vezes não passa da teoria. De acordo com a Lei 13.146, no artigo 27, é assegurado à pessoa com deficiência um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, entretanto, a utilização da Libras em sala de aula ainda não é uma realidade para todos, fato que se comprova com a pesquisa citada acima.
Por conseguinte, vê-se também o descaso do governo para com esses cidadãos. De acordo com o artigo 28 do Estatuto da Pessoa com Deficiência, é dever do poder público assegurar, criar, desenvolver, incrementar, acompanhar e avaliar a oferta de educação bilíngue, sendo Libras uma das línguas. Dessa forma, o surdo teria seu lugar garantido com qualidade, contudo, essa inclusão ainda é muito escassa e precária, devido ao desinteresse dos órgãos responsáveis, já que oficinas destinadas ao ensino da Libras aos alunos não são amplamente difundidas no Brasil.
Em suma, faz-se necessário que o MEC (Ministério da Educação) faça da Libras uma língua mais conhecida e praticada pelos brasileiros, por meio de oficinas gratuitas para toda a população, bem como a implementação dessa língua na grade curricular de ensino fundamental e médio em todo o país. Dessa forma se atingirá o objetivo de que os deficientes auditivos tenham uma educação de excelência além da inclusão de qualidade que lhes é de direito. Assim sendo, o Brasil deixará de ser um país com cada vez menos matrículas escolares de surdos, e se tornará um país amplamente integrado.