ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 24/11/2020
No final da década de 1850, mais precisamente no ano de 1857, o Brasil Império caminhava rumo à uma sociedade mais desenvolvida e inclusiva, pois no dia 26 de setembro daquele ano Dom Pedro II fundara a primeira escola voltada para o ensino de meninos com deficiência auditiva. No entanto, apesar do avanço galgado no âmbito educacional durante o Império, atualmente o Brasil vivencia um total descaso com a inclusão dos surdos na educação do país, visto que, segundo o estudo feito pelo Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda, cerca de 78% dos 10,7 milhões de brasileiros com surdez não adentraram no ensino médio. Dessa forma, faz-se necessário que o Ministério da Educação, juntamente com as escolas e a sociedade como um todo, envide esforços para solucionar essa problemática.
Primeiramente é importante destacar o fato de que apesar de o curso de graduação em libras ter seu oferecimento previsto por lei desde o ano de 2005, atualmente, segundo o Inep, apenas sete das 59 universidades federais brasileiras possuem essa formação. Desse modo, é possível inferir que um dos principais fatores que proporcionam o déficit educacional dos deficientes auditivos no Brasil é a falta de qualificação dos profissionais da educação. Portanto, uma vez que os professores estão desprovidos dos preparos adequados que atendam a população surda nas salas de aula, essa, acaba, por diversas vezes, sendo abstraída do ensino adequado para a formação do indivíduo.
Em segundo lugar, a carência de profissionais qualificados na educação da comunidade surda brasileira, segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, acaba gerando um certo ciclo vicioso no que tange o ensino nas salas de aula do país. Uma vez que a grande maioria dos professores das escolas de ensino regular não são aptos para lecionar em libras, há a necessidade do uso de aparelhos auditivos por partes dos alunos não ouvintes, no entanto, a aquisição de tais aparelhos é rara, devido o seu custo elevado, e, em razão do preconceito, a população surda possui menos oportunidades no mercado de trabalho, reduzindo drasticamente a sua renda, incapacitando-os de adquirir a ferramenta que os auxiliará durante sua formação educacional.
Em virtude dos fatos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Educação promova, em meio às escolas e às universidades, a qualificação dos educadores e instrutores, através da disponibilização do curso de Libras como disciplina curricular nos cursos de licenciatura nas diversas áreas de conhecimento, além de introduzir a língua na grade curricular do aluno do ensino fundamental e médio, promovendo o desenvolvimento da acessibilidade dos alunos com dificuldades auditivas no âmbito escolar e acadêmico, garantindo uma sociedade mais acessível e inclusiva.