ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 19/11/2020
Dados do Ministério da Educação (MEC) mostram que o Instituto Nacional de Surdos (INES) lançou, em 2017, o aplicativo “Jornal Primeira Mão”, que permite com que a comunidade surda se informe semanalmente, em libras por meio do celular, sobre as principais notícias do país e do mundo. Embora seja uma conquista, a formação educacional de surdos no Brasil enfrenta desafios, visto que essa comunidade não possui acesso aos diversos meios de educação. Dessa forma, em razão do silenciamento e da existência de uma educação lacunar, emerge um problema complexo.
Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma falha em torno dos debates sobre a formação educacional dos surdos e a inclusão deles na sociedade, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução ainda mais dificultada.
Em segundo aspecto, outra causa para a configuração do problema é a educação lacunar. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. No que tange aos desafios na educação dos surdos, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, visto que não tem incluído tais indivíduos em suas atividades educacionais.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é imprescindível que as escolas, junto ao MEC, promovam uma ação para a inclusão dos deficientes auditivos em suas atividades educacionais. Tal ação pode ser desenvolvida por meio da inserção de aulas de libras, disponíveis também para os não deficientes, e aulas de português nas escolas públicas e particulares, a fim de possibilitar a formação educacional dos deficientes auditivos. Além disso, pode haver, no período de contraturno dos alunos e professores, uma roda de debate e conversa sobre os desafios enfrentados pelos surdos, para que, assim, se construa uma sociedade empática.