ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 19/11/2020
A história nos conta que Beethoven, especialmente os surdos e mudos, tocava seu ouvido com uma ponta de um canudo e o piano na outra, para sentir a vibração das notas que não conseguia ouvir. No entanto, o músico alemão é um gênio e pode desenvolver sinfonias incríveis com pouca orientação formal. A realidade para a maioria das pessoas com deficiência auditiva, inclusive o Brasil, é muito diferente. A dificuldade de oferecer educação de qualidade para surdos é uma questão histórica. Afinal, louvamos o fato de termos ouvido o grito de uma nação heróica no Ipiranga, mas esquecemos que por mais pacíficas que sejam as periferias e quaisquer favelas utópicas, vivemos em lugares onde muita gente não consegue ouvir.
O primeiro grande desafio é superar a negligência do governo na formação de professores em nosso país. Os cursos de graduação em educação ou as aulas de Libra nos cursos de graduação (se houver) começam e são pouco práticos e se limitam à conclusão de cursos já estabelecidos, mas pouca atenção é dada à formação de profissionais da educação para o ensino de surdos. Mesmo na educação básica das escolas, a língua de sinais nem sequer é mencionada, mesmo sendo a segunda língua oficial do Brasil. Isso não apenas cria, mas expande uma cultura cega que nega a existência de pessoas com deficiência. Porém, fechar os olhos não resolve o problema.
Além disso, outro grande desafio é superar a carência de uma formação continuada abrangente e satisfatória para os surdos e limitar suas oportunidades no mercado de trabalho. Embora essa minoria tenha obtido educação básica e até graduação de alta qualidade, raramente a formação ultrapassa essa faixa. Para essas pessoas com deficiência, a falta de expansão e de programas de pós-graduação é preocupante, o que limita as oportunidades de buscar equidade em um ambiente cada vez mais competitivo. O preconceito não para por aí, ele se espalha pela sociedade. Afinal, não é incomum que os sistemas de cotas tentem equilibrar esses problemas.
Portanto, é claro que é preciso estar atento a essa questão, que é injusta e inconstitucional. O Ministério da Educação tem a responsabilidade de fornecer uma educação abrangente para os profissionais da educação, exigindo cursos práticos para o ensino de libras e supervisionando as apresentações e integração nas escolas. As empresas também desempenham um papel importante no incentivo à contratação e capacitação de surdos, pois é importante perceber que a diversidade só se formará no ambiente corporativo. Só assim podemos reverter essa inércia social, tão devastadora que sempre estaremos no berço de uma ignorância brilhante.