ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 23/11/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Nesse contexto, tornam-se evidentes como causas dessa problemática a exclusão dessas pessoas no meio escolar, bem como a negligência do governo em relação a estas pessoas.

Primeiramente, cabe distinguir esse cenário em uma visão histórica. No período imperial, em 1857, Dom Pedro II instituiu o início da inclusão dos indivíduos que não ouvem. A pioneira escola de meninos surdos foi um fator limiar nessa perspectiva, mas hoje, mais de cem anos depois a problemática ainda tem muito o que evoluir, pois é nítido o quanto a surdez ainda é tida com uma barreira. Essa percepção equivocada finda criando mais dificuldades, tendo em vista que, segundo o sociólogo Durkhein, a sociedade funciona como um corpo biológico, o que denota a necessidade de que os âmbitos sociais cooperem entre si, respeitando e incentivando esses indivíduos, assim favorecendo a incorporação desses no sistema de ensino.

É importante destacar que o país está inserido em um contexto altamente capitalista e consumidor. Nesse sentido, cada vez mais os indivíduos estão sem tempo para se voltar as questões sociais, imperando assim a cultura do individualismo que é bem retratada no livro Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda. Desse modo, a maior parte dessas pessoas com deficiência ficam sem seu direito básico a educação, pois não tem o verdadeiro apoio da massa populacional que poderia fazer a devida pressão nos órgãos responsáveis.

A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de determinados agentes implicados na formação educacional de surdos no Brasil. Portanto, o MEC(Ministério da Educação) deve incluir, como disciplina obrigatória, o ensino de Libras no Plano Nacional de Educação Isso faria com que os sujeitos aprendessem o idioma desde a educação infantil, juntamente com a língua portuguesa, o que quebraria as barreiras comunicativas existentes hoje. Além disso, cabe ao Congresso Nacional aprovar lei que obrigue as escolas de possuírem, em seus quadros, docentes e funcionários fluentes em Libras. Estes fariam as traduções necessárias para que os surdos não sejam prejudicados em sala de aula.