ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 20/11/2020

Em Esparta, na Grécia Antiga, as crianças que nasciam com alguma deficiência física - cegueira, surdez, problemas motores, entre outros - eram mortas jogadas de penhascos. Atualmente, isso não é uma realidade no Brasil, porém, os surdos ainda enfrentam outros desafios, principalmente no que tange a sua formação educacional. Nesse contexto, torna-se evidente a falta de estrutura especializada no acompanhamento desse público, bem como a exclusão dos mesmos nas escolas.   Primeiramente, destaca-se a falta de preparo dos professores para ensinar as pessoas surdas. Em 2005 foi aprovado o decreto nº 5.626, que torna obrigatório o estudo de libras em um período da formação de licenciatura. Porém, 6 meses de estudo não é suficiente para tornar o professor fluente na língua de sinais, ou seja, mesmo cursando essa matéria ele não terá uma capacitação adequada para ministrar aulas aos alunos não-ouvintes.   Ademais, a falta de acolhimento dos surdos nas escolas por parte dos alunos, se torna um agravante no problema. O filósofo Zygmunt Bauman usa o conceito de modernidade líquida, em que as relações econômicas ficaram sobrepostas às relações sociais e humanas. Consoante a esse pensamento, percebe-se que a sociedade não aprende libras, pois não é uma característica muito valorizada pelo mercado de trabalho, ao contrario, por exemplo do inglês. Sendo assim, as crianças não têm o interesse na língua, o que faz com que os surdos, ao entrar em uma escola comum, não seja acolhido pelos outros alunos, devido a dificuldade em se comunicar.   Portanto, o Ministério da Educação deverá inserir a matéria de libras como obrigatória na Base Nacional Comum Curricular e, para isso, serão contratados professores fluentes tanto na língua de sinais como na oral-escrita. Essas aulas serão ministradas desde o infantil até o ensino médio e terá por objetivo levar o aluno a fluência. Dessa forma, espera-se que com o maior conhecimento da língua por parte da população, os surdos sejam melhor acolhidos e tenham professores mais capacitados a ensina-los, assim como lhes é de direito.