ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 20/11/2020
No filme japonês de animação “Koe no Katachi”, do estúdio Kyoto Animation, a personagem principal, é uma menina surda que transfere escolas por situações familiares e, por isso, sofre bullying e complicações que impedem que continue seus estudos. Similarmente, os deficientes auditivos que tentam alcançar educação básica e profissional no Brasil sofrem com precariedades sistemáticas e opressões individuais por parte de outros alunos. Portanto, considerando o sistema educacional do Brasil e suas limitações, os problemas em relação à formação educacional dos surdos são o bullying sofrido por surdos e a falta de professores versados na Língua Brasileira de Sinais (libras).
Primeiramente, é importante enfrentar o problema do bullying sofrido por estudantes surdos, seus efeitos nas vítimas e a precariedade do sistema educacional em lidar com isto. Sendo o bullying definido por práticas repetitivas de violência física ou verbal, é visível que os efeitos dessa prática afetem o desenvolvimento mental de deficientes auditivos, especialmente os mais novos, como é expressado em uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que diz que o número de estudantes surdos caiu em 23% entre 2011 e 2016, com o bullying sendo apontado como uma das principais causas. Logo, os abusos sofridos pelos estudantes que possuem essa deficiência impactam significativamente no sucesso deles.
Após isso, é necessário enfatizar a importância da Língua Brasileira de Sinais para a formação desses estudantes e a falta de professores qualificados nessa modalidade. Segundo levantamento de 2013 do INEP, apenas 12% das universidades federais oferecem o ensino na modalidade de Libras, que é previsto na lei 5.626 de 2005. Além disso, a lei 10.436, decreta que todos estabelecimentos que prestam serviços sociais devem apresentar interprete de Libras, fato que define a ausência desse serviço em instituições de ensino como uma violação da constituição. Assim, é evidente que a falta de professores formados em libras é, além de criminal, uma barreira quase insuperável para aqueles que buscam formação acadêmica.
Em suma, os maiores desafios para o cenário hodierno da educação dos deficientes auditivos são a inabilidade do sistema de lidar com bullying sofrido por eles e a falta de professores fluentes em Libras. Visto isso, é crucial que o Ministério da Educação facilite a comunicação de instrutores e estudantes surdos por meio de campanhas de qualificação dos professores, voltadas para a formação de conhecimento em Libras e no método de lidar com a ocorrência de ostracização de alunos deficientes, além de conhecimentos gerais sobre a educação e obrigações da instituição em relação aos surdos. Dessa forma, seria possível incluir essa parcela tão significativa da sociedade.