ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 20/11/2020

Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o realista Machado de Assis, ao afastar a personagem principal em relação à deficiência física (ela era “manca”), mostra a forma como a sociedade brasileira trata os deficientes. Hodiernamente, mesmo após avanços nos direitos desses cidadãos, a situação de exclusão e preconceito persiste e se reflete no precário estado da educação oferecida aos surdos no país, o que é responsável pela dificuldade de inserção social desse grupo, principalmente no campo do trabalho.

A priori, deve-se observar que a baixa formação socioeducativa dos brasileiros é um fator decisivo para a persistência da incerteza da educação dos deficientes auditivos no país, pois os governantes respondem aos problemas sociais e grande parte da população não exige educação inclusiva, por não necessitar dela. Isso vai ao encontro da visão de A. Schopenhauer de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam sua compreensão do mundo ao seu redor, pois a educação básica é insuficiente e pouco contribui para preparar os cidadãos para o respeito às diferenças. Esse fato se reflete no precário investimento governamental em qualificação profissional e em melhor estrutura física, medidas que tornariam o ambiente escolar mais inclusivo para os surdos.

Como resultado, os deficientes auditivos encaram inúmeras dificuldades em situações diversas. Um exemplo disso é a objeção da inserção dos surdos no mercado de trabalho devido à educação deficitária que recebem e aos preconceitos inerentes à sociedade brasileira. Tal situação, nas ideias do empreiteiro Johm Locke, é uma violação do “contrato social” porque o Estado não cumpre a sua função de proporcionar a estes cidadãos direitos básicos (como o direito à educação de qualidade), para manutenir a igualdade entre os membros da sociedade, o que traz aos surdos um cenário de maior exclusão e desrespeito.

Em suma, é imprescindível que a Escola promova a formação de cidadãos que respeitem as diferenças e valorizem a integração por meio de palestras, debates e trabalhos em grupo sobre o tema com participação da família, de forma a aproximar a comunidade escolar das diversas formas de deficiência. Além disso, é fulcral que o poder público aloque maior investimento na formação de profissionais da educação especializados em educação inclusiva e na melhoria estrutural das escolas com o objetivo de proporcionar aos surdos uma formação mais eficaz. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação incentivar a contratação de pessoas com deficiência por empresas privadas, por meio de subsídios e parcerias público-privadas, visando aumentar a participação desse grupo social no mercado de trabalho. Destarte, será possível reverter o passado de preconceitos e exclusões de que fala Machado de Assis e oferecer a esses cidadãos condições educacionais mais justas.