ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 20/11/2020

Considerado um dos pensadores mais notáveis da história da pedagogia mundial, Paulo Freire, em sua essência, acredita que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou construção. Dessa forma, torna-se relevante discutir acerca dos desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, com reflexos preocupantes de causas como a negligência por parte do Governo e a falta de profissionais qualificados. Esses dois fatores espelham uma realidade complexa e extremamente preocupante no que se refere a seus efeitos sobre o país.

Dentre as perspectivas apresentadas, é primordial ressaltar, no que tange à Constituição Federal de 1988, no artigo 205, que é garantido a todo indivíduo o direito à educação, sendo dever do Estado e da família. Entretanto, sabe-se que tal direito não é exercido, o que, consequentemente, corrobora o empobrecimento do processo de aprendizagem das pessoas que apresentam perda profunda da capacidade auditiva. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontam que há, no Brasil, cerca de 9,7 milhões de brasileiros que possuem alguma deficiência auditiva. Todavia, o número de profissionais qualificados não acompanha tamanho fator. Tal cenário afeta, por conseguinte, a capacidade de processar, receber e analisar informações passadas, em sala de aula, por esses alunos que necessitam de atendimento especial.

Paralelo a isso, é importante destacar que a escolaridade é uma das etapas mais importantes no desenvolvimento dos indivíduos. Carlos Drummond de Andrade, poeta modernista brasileiro, escreveu “No Meio do Caminho”: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Fora da literatura, pode-se relacionar a “pedra” com a falta de profissionais qualificados que impedem o caminho de uma educação democratizada. A presença de profissionais treinados para lidar com a formação de alunos surdos, é indubitável para garantir a aprendizagem dos desses estudantes, sendo essencial na participação do processo de educação.

Diante do exposto, para combater os desafios da formação educacional de surdos no Brasil, é inequívoca a adoção de medidas. Desse modo, o Poder Legislativo, órgão responsável pela elaboração de leis, juntamente com o Ministério da Educação e as Escolas, devem investir na capacitação de profissionais específicos para lidarem com os alunos surdos. Tais medidas aplicam-se por intermédio de campanhas educativas e de cunho social que incluam a Língua brasileira de sinais em seus componentes curriculares, no intuito de garantir que as possibilidades para a construção do aprendizado sejam concretizadas. Somente dessa maneira, o caminho encontrar-se-á sem pedras para uma educação democratizada.