ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 21/11/2020

Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil o acesso à educação é direito de todos e dever do Estado. Contudo, tal lei institucional não representa a realidade de muitos brasileiros surdos que compõe a sociedade do país citado. Em sintese, percebe-se que os mesmos, em busca de uma formação educacional, acabam por lidar com desafios relacionados a má estrutura escolar, associada ao negligenciamento financeiro, e ao próprio bullying por parte de outros alunos.

Em primeiro lugar, deve-se compreender que as dificuldades enfrentadas pelos portadores de deficiências, sejam físicas ou psicológicas, não atuam como um sinônimo para impossibilidade de realização profissional. No entanto, a exclusão, promovida pela falta de acessibilidade a recursos educacionais, tais quais os surdos necesssitam, não só ampliam as barreiras enfrentadas por essas pessoas como também assumem o papel de agente impedidor da capacitação técnica dos membros civis em questão. Corrobora-se esse fato por intermédio de um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em que, para cada 25 mil salas, apenas 8 mil são capazes de receber um deficiente. Depreende-se acerca da ótica explicitada, que a negligência monetária quanto a adaptação das estruturas da rede de ensino público acarreta em sérios malefícios, que, por consequência, defasa a aprendizagem dos que possuem um décife auditivo.

Outrossim, nota-se que a falta de inclusão da população mencionada em grupos que frequentam ambientes acadêmicos ocasiona, geralmente, no bullying. A exemplo desse ponto de vista, pode-se fazer alusão ao filme “Koe no katachi”, no qual a personagem principal enfrenta uma série de atitudes discriminatórias executadas por alunos não portadores da perda auditiva. Dessa forma, entende-se que a compreensão dos docentes a respeito da limitação física de outras pessoas, associado ao vago conhecimento sobre libras, resulta no desgaste emocional e na marginalização daqueles denominados surdos.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Fazenda, em conjunto ao Ministério da Educação (MEC), elaborar um novo orçamento financeiro, através de reuniões mediadoras, a fim de que a verba suficiente seja destinada as instalações escolares públicas, o que irá promover as adaptações essenciais nessas áreas. Paralelamente a isso, é de dever do Ministério do Trabalho realizar um melhor preparo dos profissionais fluentes em libras, estes devem ser encaminhados para as unidades acadêmicas com intuito de auxiliar a compreensão dos alunos e facilitar o diálogo entre os estudantes. Por fim, o MEC, com o apoio das famílias das comunidades, tem a obrigação de ofertar palestra acerca do tema, objetivando mitigar atitudes violentas e abusivas.