ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 22/11/2020
Policarpo Quaresma, protagonista do livro de Lima Barreto, “O triste fim de Policarpo Quaresma” tem como característica mais marcante o nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, os desafios enfrentados para a formação educacional de surdos é um entrave que torna o pais cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse sentido, seja pela falta de profissionais qualificados, ou pelo preconceito, é um problema que afeta grande parcela da população e exige uma reflexão urgente.
A priori, a falta de preparação, física e psicológica, em lidar com os deficientes constitui o principal agravante desse problema. O desconhecimento do professor sobre a linguagem em libras, aliada a baixa infraestrutura das escolas são exemplos dos desafios que um surdo enfrenta na educação inclusiva brasileira. Diante desse cenário, a evasão escolar dessa parcela da população é algo que vem aumentando nos últimos anos. De acordo com dados coletados pelo INEP, entre 2012 e 2016 houve redução de aproximadamente cinco mil matrículas na educação básica.
Em segundo plano, a dificuldade em se relacionar representa outro agravante no processo de formação acadêmica. Exclusão, depressão e baixa autoestima são consequências sofridas pelos surdos decorrentes da sua não socialização no âmbito escolar. A negligência dos pais e dos educadores, aliada a falta de tempo faz com que esses, na maioria dos casos, não ensinem seus filhos a respeitarem o próximo, caracterizando o modelo de relações superficiais proposto por Zygmunt Bauman.
Infere-se, portanto, que a formação escolar dos deficientes auditivos representa um grande desafio. Sendo assim, o Ministério da Educação em parceria com as escolas e famílias devem promover a aplicabilidade da lei, propondo medidas para preparar melhor os professores e os alunos a lidarem com surdos. Para isso, palestras de cunho educativo, ministrados por professores e profissionais especializados, realizados em ambientes públicos, como praças e parques, e que promovem a formação de professores mais capacitados e jovens mais empáticos tornam-se necessárias. Dessa forma, assim como o esporte, a educação poderá promover a inclusão desses deficientes.