ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 22/11/2020

Durante o período histórico conhecido como Antiguidade Clássica, mais precisamente na cidade-estado de Esparta, todos os recém-nascidos que apresentavam qualquer deficiência eram assassinados, pois, segundo a cultura espartana não estavam aptos àquela sociedade. Nesse contexto, o Brasil converge com a escola grega, promovendo a exclusão de deficientes auditivos no aspecto educacional, validando, assim, a contextualização da problemática na atual conjuntura nacional. Dessa forma, convém analisar os motivos que corroboram para a manutenção do quadro social segregacionista vigente.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, analisa em sua obra, “Modernidade Líquida”, a efemeridade dos sentimentos e a inconstância das relações na sociedade pós-moderna. Nesse contexto, essa fragilidade dos laços afetivos resulta em pessoas cada vez mais individualistas e indiferentes às necessidades do outro, tornando difícil a valorização das diferenças pela coletividade. Consequentemente, medidas importantes para a inserção efetiva de deficientes na sociedade não são vistas como prioridade e, assim, distancia-se crescentemente de uma solução, ressaltando o individualismo criticado por Bauman.

Atrelado à essa situação, o Brasil é, historicamente, marcado por um processo lento e gradual de transformações que busquem integrar todos para uma participação ativa na sociedade. Assim, a falta de investimentos e a precária infraestrutura das escolas tornam a inclusão uma tarefa árdua. Desse modo, sem mecanismos que possibilitem uma maior autonomia em sala, os surdos tendem a perder o interesse no processo de aprendizagem convencional. Segundo o Inep, o número de matrículas de surdos na educação básica apresentou redução ao longo dos anos, dados que apontam os reais desafios da formação educacional dos surdos.

Portanto, para que seja possível promover o desenvolvimento de uma educação mais inclusiva em relação aos surdos, é necessário que o Estado crie programas para ampliar os investimentos na área de Pedagogia de modo a formar mais profissionais capacitados para o ensino de Libras, redirecionando também o dinheiro público para a construção de novas escolas adaptadas às necessidades desses indivíduos. Ademais, o Ministério do Trabalho poderá diminuir o arrocho tributário sobre empresas privadas que se disponibilizaram a contratar deficientes auditivos formados e capacitados para exercerem suas respectivas funções, estimulando, dessa maneira, a imersão e a possibilidade de destaque profissional, servindo de inspiração para os demais.