ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 22/11/2020

O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, no que concerne aos desafios para a formação educacionais de surdos no Brasil, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange à questão da formação dos surdos, que persiste influenciado pela falta de acessibilidade, além da falta de compromisso com o cumprimento da lei.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5% da população brasileira, isto é, mais de 10 milhões de cidadãos apresentam deficiência auditiva, dentre os quais mais de 1 milhão são jovens que estão se preparando para o mercado de trabalho. Além disso, dados mostram que somente 7% de deficientes auditivos têm ensino superior completo; 15% frequentaram até o ensino médio, 46% até o fundamental e 32% não possuem grau de instrução. Dessa forma, destaca-se a importância de medidas tomadas para assegurar o bem-estar dessa população na sociedade. De fato, existem atualmente diversas leis com esse objetivo. Apesar disso, ainda persistem inúmeros problemas que devem ser superados para a completa inclusão dos surdos na sociedade.

Atualmente, a luta pela acessibilidade às pessoas surdas foi extremamente importante para o alcance de diversas conquistas. Por exemplo, a Lei 10.436, que definiu a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua oficial do país, e a NBR 15.29/2006, que obriga que programas educativos e informativos façam uso da janela de intérprete de Libras. Certamente, a Libras é uma ferramenta imprescindível para a inclusão das pessoas com deficiência auditiva na sociedade, sobretudo nas escolas, onde a formação bilíngue do educador é a chave para a integração do estudante surdo com o ambiente escolar. Todavia, existem ainda hoje vários déficits no cumprimento da legislação. Por exemplo, são poucos os professores que apresentam formação em Libras, o que dificulta a interação do educador com os alunos que possuem essa necessidade.

A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de determinados agentes implicados na formação da população surda. Portanto, o Ministério da Educação, juntamente com o Poder Legislativo, deve oferecer maior inclusão dessa população nas escolas, por intermédio de revigoramento das legislações já existentes e criação de novas legislações, como a obrigatoriedade da formação bilíngue de professores. Como resultado dessa nova perspectiva, as pessoas com essa necessidade terão maiores oportunidades de alcançar sua formação escolar, além de chances mais justas na busca de vagas no mercado de trabalho.