ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 23/11/2020

O livro “O cidadão de papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas sociais que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que o descaso com a formação educacional de surdos no Brasil afeta a sociedade como um todo e o direito, garantido por lei de se viver dignamente. Nesse sentido, faz-se necessário entender que isso é fruto da ausência de profissionais qualificados e da permanência da discriminação como intenso fato social. Portanto, discutir acerca das raízes e das práticas culturais que contribuem para a permanência dessa problemática é à medida que se impõe.

Em primeiro lugar, é preciso atentar que uma das causas que corrobora para o problema é a escassez de profissionais do ramo da educação treinados e qualificados para auxiliar na formação de pueris nas escolas e universidades nacionais. Segundo a constituição brasileira de 1988, a educação de qualidade é direito de todos e dever do Estado e da família, visando o pleno desenvolvimento do indivíduo. Sob esse viés, a pessoa portadora de necessidades especiais como a em questão, que  não possui acesso completo e pleno a uma experiência de aprendizagem sadia e com especialistas treinados para auxilia-la, fere a este direito constitucional, além de ter o seu desenvolvimento pessoal defasado. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Ademais, vale a pena destacar também a discriminação como impulsionadora do déficit de ações educativas voltadas aos jovens com surdez. Conforme o princípio da coercibilidade defendido pelo sociólogo Émile Durkheim, o meio social determina as condutas do indivíduo. Dessa forma, ao se deparar com alguém que a sociedade considera diferente, a maioria das pessoas tende a ignorá-lo por conta da vivência em grupo. Assim, o pensamento de exclusão dos surdos é transmitido de geração a geração, evidenciando-se no descaso com os direitos dessa população. Esse desprezo manifesta-se tanto na carência de recursos de tecnologia assistiva, quanto na exclusão desse grupo no mercado de trabalho, revelando uma sociedade que se declara civilizada, mas ainda perpetua atitudes que provocam retrocesso.

Destarte, depreende-se que medidas urgentes são necessárias para garantir a resolução desta problemática.  Portanto, a fim de atenuar o problema, o Ministério da Educação deve promover o treinamento de docentes para o atendimento aos alunos surdos, bem como investir na compra de mais materiais adaptados, visando promover a inserção efetiva no processo de ensino. Pois, só assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, regido pela equidade vislumbrada por Aristóteles.