ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 23/11/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito a educação e ao bem-estar social. Conquanto, o cenário desafiador na formação educacional de surdos no Brasil impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para nossa sociedade.

É importante analisar, em um primeiro momento, a  falta de inserção de pessoas com deficiência auditiva nas escolas como causa da insuficiência de políticas públicas inclusivas do Estado. Segundo o filósofo alemão, Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Percebe-se então a importância da educação como ferramenta de ascensão social. Ademais, o Brasil segue um caminho contrário ao pensamento exposto, já que se torna notória escassez de educadores capacitados pelo Ministério de Educação com domínio sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), mesmo com sua oficialização em 2002 e seu reconhecimento como a segunda língua do Brasil, representando assim, uma grande limitação e exclusão aos deficientes auditivos, delimitando os caminhos de sua formação educacional.

Faz-se mister, ainda, salientar a falta de mercado profissional para os poucos deficientes auditivos que conseguem vencer a força de atrito governamental, promovendo a intolerância e  disseminação de pessoas surdas. Segundo informações do Concelho Nacional das Pessoas Portadoras de Deficiência Física (Conade), as maiores dificuldades de inclusão de deficientes no mercado de trabalho são o preconceito, a adaptação de ambientes e a comunicação com os colegas e chefes, no caso de ouvintes e não ouvintes. Diante do exposto, é inadmissível que essa parte importante da sociedade continue sendo prejudicada e que a luta vivida diariamente por eles, seja omitida e esquecida dentro dos ambientes de trabalho.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Com isso, cabe ao Ministério da Educação, através de um programa inclusivo educacional, a promoção de reformas escolares com fio pedagógico evidenciar aos professores de linguagem através de cursos na área de libras, possibilitando assim que os deficientes auditivos se sintam respeitados pelo sistema governamental. É importante também, que as empresas apostem na formação de um Comitê de Inclusão, formada por especialistas em Recursos Humanos que devem observar as necessidades dos funcionários com perda auditiva e preparar a equipe para recebê-los, estimulando dessa maneira a imersão e a possibilidade de destaque profissional, servindo de inspiração para os demais.